
Evangelho Segundo a Vida [5] (190ª Poesia de um Canalha)
Data 21/09/2026 08:03:42 | Tópico: Poemas
| As sãs loucuras desses credos comerciais Eram cruas faces qu’o diabo mal-humorado Lavava com suas mãos cobertas de desejos Resguardadas nas sombras dos dias a mais De lânguidas preces saciadas pelo pecado Com passos apressados ritmados a ornejos
Esta vida não é só um imaginário de sons Um chão carregado de beldrejos que pisas E coses com linhas feitas dos sonhos idos Esbatidos em tela de momentos quase bons Faz-se dos frutos de árvores que repisas E te levam da memória os últimos pedidos
A erva daninha que cresce no pensamento Sangra-te o dia de amanhã de teus filhos Essa tola miragem que carregas no peito Qual Medusa petrifica o doce sentimento Ecoa eternamente o som dos vis gatilhos Que não pedirão clemência a esse defeito
És breve como tão breve é a efémera luz Que se esgueira lenta entr’os teus dedos E as grades sós em tanta parede reclusa Mais míngua qu’estes grãos de areia nus É a existência feita de miseráveis medos Fel que d’tal condenação o mártir abusa
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