Poemas : 

Evangelho Segundo a Vida [5] (190ª Poesia de um Canalha)

 
As sãs loucuras desses credos comerciais
Eram cruas faces qu’o diabo mal-humorado
Lavava com suas mãos cobertas de desejos
Resguardadas nas sombras dos dias a mais
De lânguidas preces saciadas pelo pecado
Com passos apressados ritmados a ornejos

Esta vida não é só um imaginário de sons
Um chão carregado de beldrejos que pisas
E coses com linhas feitas dos sonhos idos
Esbatidos em tela de momentos quase bons
Faz-se dos frutos de árvores que repisas
E te levam da memória os últimos pedidos

A erva daninha que cresce no pensamento
Sangra-te o dia de amanhã de teus filhos
Essa tola miragem que carregas no peito
Qual Medusa petrifica o doce sentimento
Ecoa eternamente o som dos vis gatilhos
Que não pedirão clemência a esse defeito

És breve como tão breve é a efémera luz
Que se esgueira lenta entr’os teus dedos
E as grades sós em tanta parede reclusa
Mais míngua qu’estes grãos de areia nus
É a existência feita de miseráveis medos
Fel que d’tal condenação o mártir abusa


A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma

 
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Alemtagus
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