As sãs loucuras desses credos comerciais
Eram cruas faces qu’o diabo mal-humorado
Lavava com suas mãos cobertas de desejos
Resguardadas nas sombras dos dias a mais
De lânguidas preces saciadas pelo pecado
Com passos apressados ritmados a ornejos
Esta vida não é só um imaginário de sons
Um chão carregado de beldrejos que pisas
E coses com linhas feitas dos sonhos idos
Esbatidos em tela de momentos quase bons
Faz-se dos frutos de árvores que repisas
E te levam da memória os últimos pedidos
A erva daninha que cresce no pensamento
Sangra-te o dia de amanhã de teus filhos
Essa tola miragem que carregas no peito
Qual Medusa petrifica o doce sentimento
Ecoa eternamente o som dos vis gatilhos
Que não pedirão clemência a esse defeito
És breve como tão breve é a efémera luz
Que se esgueira lenta entr’os teus dedos
E as grades sós em tanta parede reclusa
Mais míngua qu’estes grãos de areia nus
É a existência feita de miseráveis medos
Fel que d’tal condenação o mártir abusa
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma