
A CARNE E A CONSCIÊNCIA
Data 22/09/2026 14:49:50 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| A fachada agora é casa? Um crucifixo é devoção? O gelo tornou-se brasa? Felicidade exige certidão?
Na tela, a pose esta perfeita, maquiagem, ou filtro, basta; fora do quadro a dor se deita, chora, e a noite se arrasta.
Na pista dança, alegre gira, a própria voz abafa e cala; o riso ensaia outra mentira e a máscara, vazia, fala.
Mas um dia o letreiro cede aquele corpo, já torto, cai; desiste, e a vertigem pede palmas, a turba junta, trai.
Viver é verbo: faz-se casa, fora do caixão, transborda; só a lenha se torna brasa: e a vida tropeça, e acorda.
Quem teve o chão no rosto sabe o quanto custa levantar e reconhece, pelo gosto, a pedra que se funda o lar.
O sonho é ponte, nunca teto; casa exige a mão, o prumo; resistir, qual aço e concreto; insistir, e sustentar o rumo.
A dor, que a tela disfarçava, abre na pele a cicatriz; e o medo, antes era trava, é semente, e se fez raiz.
Por isso te pergunto, e sigo: que mora por trás da aparência? gelo ou fogo que virou abrigo? é carne, escolha e consciência?
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