
Fuga do Poeta
Data 01/10/2026 07:27:35 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Fuga do Poeta Não, nunca serei, poeta que cante o belo d' amores, os divinos ou profanos, benquisto de ninfas musas. Nem, sequer, serei asceta meditando seus louvores, dos prazeres mais ufanos, fauno de dádivas recusas.
Mas, tu, cativas-me no erro, Serás Clio, deusa da fama, Troando o ar de clarins, Glória, ornada de louros? Nem Eterpe no desterro, Júbilo vertiddo em lama, vestida de flor e flautins, d' oboés, de pautas e d' ouros?
Podes recriar Tália, Ir em dramas e festejos, vestida de pastora, com botas de borzeguim. Melpómene d' Itália, Ébria de mil desejos, Coturnada ou cantora, A exibir-me d’ arlequim.
Terpsícore, a dançante, regente de voz em corais, portando flautins e lira, lançando-me maldição. Sim! Eis Érato! Minh' Amante! De doces promessas, ais... De prazer que delira nos mirtos, rosas e paixão...
Polímnia, musa d’ hinos, cantando mil loas vãs, A um guerreiro tão devasso, sedutor de ninfas em véus. Urânia, azul marinho, coroada tal as irmãs, do globo-mundo e compasso, Para s’ elevar aos céus.
Calíope, feliz canto, de tabuleta e buril, d' ouro, prata e grãos d’ areias, cantando mortal poema. Eu vil poeta senil, Sem um poema d´ encanto, nem o ardilar das sereias, E nenhuma paz. Que dilema!
Fugi, musas, da descrença, ide às fontes e lagos, libertai-vos de lirismos vazios, vilões, severos. Vai- te, mulher, por sentença, renego beijos, afagos, que se despenham em abismos de sonhos, de desesperos!
8 oitavas em redondilha maior.
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