Estranho animal o que se sente e não ressente O homem que sem medo receia o tempo longo E corta nas palavras para falar mais ou menos Esse que na sua estupidez se encara de frente Se verga à força incomensurável d'um ditongo Como se tomasse um fatal conluio de venenos
Raro o passado que nascido do chão não morre E esparralhado por gleba repisada de tais vícios É epitáfio da pele gasta dessas mãos homicidas O corpo treme e remoinha na vida que percorre Olvida toques enferrujados de velhos sacrifícios Que o sangram qual purga de pleitos parricidas
A mente cinzenta pinta-se negra num alvo luto Onde os seus sentidos deixam de fazer sentido E afaimada língua prenha de verbos se silencia Preso ao nó górdio da corda vai um olhar bruto Lavado p'las lágrimas do desesperado possuído Que se escreve e descreve na sua breve poesia
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