
Desvario da luz
Data 03/10/2026 09:42:18 | Tópico: Poemas
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Amanhece dentro do corpo como se a pele fosse um lugar por acabar
uma superfície onde a luz aprende a beber o que resta do desamor.
Há sombras que não resistem.
Despem-se devagar
na humidade breve da memória e o gesto toca o tempo pela última vez antes de desaparecer na respiração da matéria.
O vento inclina as árvores num murmúrio que não se decide e o vidro guarda a justeza do corpo como se o contivesse.
O tecto baixo respira a compressão dos dias que não couberam em nós.
Uma coruja branca atravessa a luz. Asas a desfazerem limites
lembrando que há instantes em que fechar os olhos é a única forma de sorver o sofrimento inteiro.
E ainda assim algo permanece. Um resto de urgência um traço que não aceita morrer na superfície da manhã.
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