Poemas : 

Desvario da luz

 


Amanhece dentro do corpo
como se a pele
fosse um lugar por acabar

uma superfície onde a luz aprende
a beber o que resta do desamor.


Há sombras que não resistem.

Despem-se
devagar

na humidade breve da memória
e o gesto toca o tempo pela última vez
antes de desaparecer na respiração da matéria.


O vento inclina as árvores
num murmúrio que não se decide
e o vidro guarda a justeza do corpo
como se o contivesse.


O tecto
baixo
respira a compressão dos dias
que não couberam em nós.


Uma coruja branca atravessa a luz.
Asas a desfazerem limites

lembrando que há instantes em que fechar os olhos
é a única forma de sorver
o sofrimento inteiro.


E
ainda assim
algo permanece.
Um resto de urgência
um traço que não aceita morrer
na superfície da manhã.







 
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idália
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Enviado por Tópico
Alpha
Publicado: 03/10/2026 20:21  Atualizado: 03/10/2026 20:21
Membro de honra
Usuário desde: 14/04/2015
Localidade:
Mensagens: 2397
 Re: Desvario da luz
Olá, Idália

Entre a sombra e a luz, o corpo se desfaz
e a memória respira o que ficou por dizer
há um resto de manhã que ainda pede paz
um traço contra a noite que se recusa a morrer!

Fica depois da sombra, essa luz inquieta que o poema não deixa morrer.
Uma claridade breve, mas suficiente para continuar a manhã.

Abraço


Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 04/10/2026 07:24  Atualizado: 04/10/2026 07:24
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 2415
 Re: Desvario da luz
Pois...
Maldito "...algo....".

Abraço


Enviado por Tópico
Liliana Jardim
Publicado: 05/10/2026 10:18  Atualizado: 05/10/2026 10:18
Colaborador
Usuário desde: 08/10/2007
Localidade: Caniço-Madeira
Mensagens: 4590
 Re: Desvario da luz
E
ainda assim
algo permanece.
Um resto de urgência
um traço que não aceita morrer
na superfície da manhã.

Gosto de ler-te, poetisa
Belo

Beijinhos

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