
CONCRETO EXPOSTO
Data 23/10/2026 10:21:47 | Tópico: Poemas
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me procure no ruído do motor desregulado cuspidor de fumaça preta na avenida central onde a pressa atropela o último resto de bom senso e a calçada rachada engole os passos fugidios do homem comum
não me venha com discursos polidos nem com a métrica perfeita dos salões vazios, minha verdade está no cinzeiro transbordando de bitucas na lâmpada piscante teimosa em não apagar no negror de mais uma noite sem respostas e o eco surdo de um estômago vazio
sou o espectador da pressa alheia parado no acostamento de uma estrada sem placas de carros velozes e caminhões pesados mirando o mundo girar em alta velocidade enquanto calculo o peso de minhas próprias falhas sem a inércia dos meus sentidos racionais sem roupa e com a cara amassada antecipando o amanhã como somente mais um dia útil da engrenagem esmagadora em nosso peito
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