me procure no ruído do motor desregulado
cuspidor de fumaça preta na avenida central
onde a pressa atropela o último resto de bom senso
e a calçada rachada engole os passos fugidios do homem comum
não me venha com discursos polidos
nem com a métrica perfeita dos salões vazios,
minha verdade está no cinzeiro transbordando de bitucas
na lâmpada piscante teimosa em não apagar
no negror de mais uma noite sem respostas
e o eco surdo de um estômago vazio
sou o espectador da pressa alheia
parado no acostamento de uma estrada sem placas
de carros velozes e caminhões pesados
mirando o mundo girar em alta velocidade
enquanto calculo o peso de minhas próprias falhas
sem a inércia dos meus sentidos racionais
sem roupa e com a cara amassada
antecipando o amanhã
como somente mais um dia útil
da engrenagem esmagadora em nosso peito
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Rehgge Camargo_________________________________
"o poeta absorve, filtra e exala."