ARQUITETURA DO AVESSO
me perco na pressa, mais um dia; o cabresto no asfalto do fim, passos-guias, dantesco é o vácuo pesado de quem vai embora no último ônibus cruzando a aurora
sem prece ou fôlego na perimetral o vento rasgando o outdoor do canal grita a urgência ao tempo consumida na crença cega de uma gente sofrida
cansei de altares e de salas limpas juntei os estilhaços de velhas rimas fumaça preta pelo motor emana no peito em chamas, a dor desengana
o amanhã é o eco de outra partida a marca tatuada na carne ferida, me busque no avesso de toda certeza onde a noite revém com sua aspereza ... e a estrada segue sem rumo ou placa enquanto a engrenagem a alma ataca somos os cegos de uma órbita louca de pressa nos pés e de saliva pouca enquanto o vazio soberano e eterno risca intermitente o renovo do inferno
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CARROSSEL
há um círculo no circo das preces
no círculo os aviõezinhos o cortornam buscam o pouso ao ponto central
tal pisca de vagalume o sinal atrai para si mentes sãs e dementes
mas a resposta é de quem crê e sabe voar à pureza de seu imo em busca de paz além do carrossel distópico
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