Poemas -> Reflexão : 

carrossel & arquitetura do avesso.

 


ARQUITETURA DO AVESSO





me perco na pressa, mais um dia; o cabresto
no asfalto do fim, passos-guias, dantesco
é o vácuo pesado de quem vai embora
no último ônibus cruzando a aurora

sem prece ou fôlego na perimetral
o vento rasgando o outdoor do canal
grita a urgência ao tempo consumida
na crença cega de uma gente sofrida

cansei de altares e de salas limpas
juntei os estilhaços de velhas rimas
fumaça preta pelo motor emana
no peito em chamas, a dor desengana

o amanhã é o eco de outra partida
a marca tatuada na carne ferida,
me busque no avesso de toda certeza
onde a noite revém com sua aspereza
...
e a estrada segue sem rumo ou placa
enquanto a engrenagem a alma ataca
somos os cegos de uma órbita louca
de pressa nos pés e de saliva pouca
enquanto o vazio soberano e eterno
risca intermitente o renovo do inferno



***




CARROSSEL



há um círculo
no circo das preces

no círculo
os aviõezinhos o cortornam
buscam o pouso
ao ponto central

tal pisca de vagalume
o sinal atrai para si
mentes sãs e dementes

mas a resposta
é de quem crê
e sabe voar
à pureza de seu imo
em busca de paz
além do carrossel distópico



***























Rehgge Camargo
_________________________________

# peco pelo abraço que não dou e traço só, no leito,
um jeito de fazer tudo o que penso e não faço. ass: EU


 
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Rehgge
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