Claridade que rasga o nevoeiro

Data 07/11/2026 10:00:39 | Tópico: Poemas -> Amor

Há no ar que respiro esta vertigem
que me enche e extravasa-me do peito
contemplo o avesso de tudo o que sinto
e descubro que a paixão não é um destino
mas um espelho nítido onde me perco
para depois, inteira, voltar a encontrar-me.

Tu és a memória de um entardecer longínquo
a inquietação nas minhas mãos despidas
e o desassossego em que habita
todos os nossos silêncios.

Sou o eco, a busca e a própria dádiva
um tempo onde o amor pulsa sem amarras
e onde o meu próprio ser se sente abençoado

Não há pressa no modo como me habitas
apenas uma claridade que rasga o nevoeiro
e me devolve à nudez dos meus dias
olho para dentro e vejo-me sublime
como se a tua presença em mim
fosse o rastilho para que eu enfim
me pudesse escutar.

Escrito a 3/11/26




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