9. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Lobices. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Lobices.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. "...desenhei meu corpo nas águas profundas do rio que em mim corre e nele me percorri em tons de azul, cor do céu que nunca morre... desenhei minha alma nas ondas do poderoso mar que fora de mim se move e nele a desenhei em tons de branco nobre, leves, mas sóbrios... desenhei meu corpo em minha alma e a mistura se fundiu em tons vermelhos de puro sangue... e minha alma, pária de si própria, desenhou no meu corpo a felicidade de se saber comigo e não mais solitária... desenhei, por fim, no mais profundo de mim, um campo de flores, de todas as cores, exalando todos os perfumes, completamente preenchidas com todas as vossas dores..." Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=158 © Luso-Poemas Começa com o corpo lançado às águas profundas do rio interior, e essa imagem inicial já contém uma verdade essencial: o sujeito não se limita a olhar‑se, percorre‑se. Há uma espécie de cartografia íntima, um mapeamento sensorial em que o corpo se torna território navegável. O azul que o envolve — “cor do céu que nunca morre” — não é apenas cor, é aspiração. O corpo mortal procura, no seu próprio fluxo, a permanência que só o céu promete. Quando a alma surge, desloca‑se para o mar, e o mar aqui é força, amplitude, movimento que não depende do sujeito. A alma é desenhada nas ondas, como se precisasse de um espaço maior do que o corpo para se reconhecer. O branco que a envolve é nobreza e leveza, mas também sobriedade — uma contenção que impede a dissolução. A alma não se perde no mar; afirma‑se nele. O momento em que corpo e alma se fundem é o ponto mais denso do texto. O vermelho do sangue não é apenas vida: é identidade, é verdade, é aquilo que não pode ser fingido. A fusão não é pacífica, é visceral. O sujeito torna‑se inteiro não por harmonia, mas por intensidade. E logo depois, num gesto inesperado, a alma — antes pária, antes exilada — desenha no corpo a felicidade de se saber acompanhada. É um instante de reconciliação profunda, quase silenciosa, como se o poema respirasse pela primeira vez depois de longas apneias. O fecho desloca tudo para um plano mais vasto: no mais profundo de si, o sujeito desenha um campo de flores. Não são flores decorativas; são flores que exalam perfumes e carregam dores. O interior torna‑se jardim e, ao mesmo tempo, memorial. A dor dos outros é acolhida, transformada, convertida em cor e perfume. O eu deixa de ser apenas espaço de introspecção e torna‑se espaço de comunhão. Há aqui uma ética subtil: só quem se percorreu, só quem se fundiu, só quem se reconciliou consigo pode abrir espaço para o sofrimento alheio. O texto é uma pequena génese íntima. Começa no corpo, passa pela alma, une‑os, reconcilia‑os e, finalmente, abre‑os ao mundo. É um movimento de expansão que não é grandioso, mas profundo; não é ruidoso, mas inevitável. Tudo nele é desenho, mas um desenho que não imita: cria. É um poema que se constrói como quem respira — primeiro para dentro, depois para fora — até que o interior se torne vasto o suficiente para conter mais do que o próprio sujeito.
Criado em: Hoje 8:09:22
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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