IA: - elogios / + aprendizagem |
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Olá a todos. Tenho acompanhado com atenção os posts do Alemtagus e as respetivas reações. Agradeço por todas elas. A Inteligência Artificial (IA) entrou nas nossas vidas de supetão e ainda vai levar algum tempo a verificar os efeitos que provocará. Precisamos de estar atentos e de refletir em conjunto. Para ajudar nessa reflexão, vou propor um exercício diferente, mas também no âmbito da crítica literária. Todos sabemos que a instrução de comando ("prompt") que dá origem ao texto de IA condiciona a sua resposta. Por natureza, o algoritmo valoriza excessivamente a nossa forma de ver o mundo (à semelhança do que acontece nas redes sociais, por exemplo) com o objetivo de captar novos utilizadores (ou clientes), que assim se sentem "compreendidos" e "estimados" pelo software. Só contornando esta tendência da IA é que surgem respostas interessantes e úteis para refletir e aprender. Proponho precisamente isso, ao Alemtagus e a quem desejar: usar um prompt mais complexo para obter respostas que nos permitam, pouco a pouco, caminhar num sentido de verdadeiro espírito crítico. No post em baixo, vou sugerir um prompt para exercício.
Criado em: Hoje 10:15:42
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IA: - elogios / + aprendizagem (prompt) |
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Para criar um prompt que permitisse uma resposta mais exigente, comecei por pedir à IA que respondesse à questão: "Se tivesse de escolher apenas 3 critérios para comentar a qualidade de um poema, quais seriam?" Através da sua resposta, construí o seguinte prompt: "Analisa criticamente o poema com base em três critérios: (1) linguagem (imagens, ritmo, precisão e possíveis clichés), (2) intensidade (força emocional e tensão) e (3) unidade (coesão e desenvolvimento). Evita elogios genéricos e identifica também limitações ou fragilidades quando existirem. Responde em três parágrafos — um por critério — com até 150 palavras cada." No próximo post, vou experimentá-lo, recorrendo a um poema meu. Desafio-vos a experimentarem também. Atenção: O objetivo não é adaptarmo-nos aos padrões da IA, mas dar atenção às suas observações e refletir se nos ajudam a compreender melhor a nossa voz interior. Se a IA apenas nos fizer elogios ou, pelo contrário, houver uma tentativa de imposição de um modelo poético definitivo, há que desconfiar.
Criado em: Hoje 10:16:40
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IA: - elogios / + aprendizagem (experiência) |
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Aqui está o meu poema "sirât", seguido da resposta da IA ao prompt que sugeri no post anterior. sirât os deuses erguem colunas à tremulina do deserto e o cântico das minas traça o mapa incerto à sombra das escunas que erram pelas dunas e resistem à tempestade ofuscadas com a claridade de enseadas clandestinas ---------------- Resposta da IA (ChatGPT): **Linguagem** A linguagem aposta num registo imagético e simbólico, com vocabulário relativamente invulgar (“tremulina”, “escunas”, “enseadas clandestinas”), o que cria uma atmosfera sugestiva. Há cuidado sonoro nas rimas e repetições (“dunas” / “escunas”), contribuindo para alguma musicalidade. No entanto, certas escolhas parecem mais ornamentais do que precisas: “cântico das minas” e “mapa incerto” são expressões vagas, sem ancoragem clara. A acumulação de imagens marítimas e desérticas cria tensão interessante, mas nem sempre é controlada, podendo soar arbitrária. Há originalidade, mas por vezes à custa de nitidez semântica. **Intensidade** A intensidade é moderada e mais atmosférica do que emocional. O poema sugere um cenário de resistência (“resistem à tempestade”), mas não desenvolve um conflito claro nem uma voz que sustente essa tensão. A evocação de “deuses” e de um espaço simbólico (“sirât”) aponta para um plano mais metafísico, mas esse potencial não é explorado de forma a gerar maior urgência ou impacto. O texto funciona mais como quadro evocativo do que como expressão de necessidade interna. **Unidade** O poema mantém uma coerência temática geral — deserto, travessia, orientação incerta —, mas a articulação entre imagens nem sempre é orgânica. A fusão entre elementos marítimos e desérticos cria um campo simbólico ambíguo, que pode ser lido como intencional, mas carece de desenvolvimento para se consolidar. A progressão é limitada: as imagens acumulam-se sem uma transformação clara. Ainda assim, o tom e o léxico mantêm uma unidade estilística consistente. ---------------- Agora a minha reflexão. A resposta é muito mais interessante desta forma. A maior parte dos conselhos são óbvios, mas úteis, como evitar ornamentos excessivos, usar a precisão vocabular como força motriz do poema, não esquecer a articulação entre os elementos etc. Ajudam a refletir na próxima criação, principalmente quando estamos indecisos na opção por esta ou aquela imagem ou palavra. Mas não podemos esquecer que tudo isto se encontra ao serviço de uma consciência humana, que não constrói um poema como uma equação matemática, mas como retrato vivo de um momento em que se encontram memória, emoção e técnica poética.
Criado em: Hoje 10:21:14
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