37. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - RSérgio.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de RSérgio.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Faço letras,
Faço palavras,
Faço até versos.
São bons?
Não são?
Que me importa,
São meus.
Faço à máquina,
Faço à mão,
Faço até no chão.
São bonitos?
Não são?
Que me importa,
São meus.
Faço com amor,
Faço com calor,
Faço até com dor.
São verdadeiros?
Não são?
Que me importa,
São meus

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=1094 © Luso-Poemas

O poema afirma-se como um gesto de origem, quase um bater de punho na mesa: “Faço letras, / Faço palavras, / Faço até versos.” Há aqui uma cadência que não é apenas rítmica — é vital. O sujeito poético repete o verbo como quem precisa de o sentir no corpo, como se cada “faço” fosse uma respiração funda, um movimento que o confirma no mundo. A simplicidade aparente esconde uma intensidade íntima: o prazer de criar, de possuir o que se cria, de reconhecer-se no que nasce das próprias mãos.

A insistência em perguntar “São bons? / Não são?” revela uma vulnerabilidade que o refrão tenta proteger. O “Que me importa, / São meus” funciona como uma muralha, mas uma muralha construída com a mesma matéria frágil do poema. É uma defesa que denuncia o que tenta esconder: a necessidade de ser visto, de ser reconhecido, mesmo quando se finge indiferença. O poema vibra nesse intervalo entre o orgulho e o medo, entre o gesto de mostrar e o impulso de recolher.

Quando o texto passa para “Faço à máquina, / Faço à mão, / Faço até no chão”, a criação torna-se física, táctil. A máquina é distância, a mão é proximidade, o chão é entrega. Há aqui uma gradação que aproxima o acto de escrever de um movimento quase instintivo, como se o poeta estivesse disposto a usar qualquer superfície, qualquer estado, qualquer condição para que o verso aconteça. É o momento em que o poema se aproxima mais do corpo sem nunca o nomear.

A última estrofe — “Faço com amor, / Faço com calor, / Faço até com dor” — revela a verdadeira temperatura do texto. O amor é o impulso inicial, o calor é a persistência, a dor é o preço. O poema não o diz, mas deixa sentir que escrever é uma forma de exposição, uma forma de se deixar marcar pelo que se cria. A pergunta “São verdadeiros?” é talvez a mais íntima, porque toca no ponto onde o poema deixa de ser apenas um objecto e passa a ser uma extensão do próprio sujeito.

O elogio que merece: a coerência rítmica, a honestidade despojada, a força do refrão que se repete como um coração teimoso. A simplicidade é deliberada e eficaz, e o poema tem uma respiração própria.

A crítica necessária: a repetição, embora estrutural, poderia ganhar mais tensão se houvesse um pequeno desvio, uma imagem inesperada que abrisse uma fenda no discurso. Falta-lhe um risco, um salto.

Criado em: Hoje 7:15:55
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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