40. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Stacarca. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Stacarca.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Quando acordei e não te encontrei Achei que fosse um sonho ruim... Quando mexi nas suas coisas e você não estava lá, Ainda achei que fosse um pesadelo ou algo assim. Depois de um tempo quando pensei e quis acreditar, Pude ver que aquele dia negro era real, que você tinha ido embora. Algum tempo se passou, e ainda só consigo te amar, Sabe porquê? Você é o meu anjo, meu Santo e meu Deus... E a minha dor nada mais é, que a tradução do que sinto por você.. Não se engane, não tenho só tristeza dentro de mim. Ainda há o meu amor por você, e minha esperança de te encontrar; E dizer que sempre te amei, e vou continuar a amar e amar. Eu daria tudo por mais um momento com você também para dizer: Que teria ido em seu lugar, Que teria sofrido tudo o que você sofreu. Somente para você continuar aqui e viver o que você perdeu... Sim, Eu teria morrido por você, e ainda morreria se você me pedisse. Ás minhas lágrimas e minha dor São uma forma de te mostrar o meu amor, De te pedir para que nunca saia do meu lado, mesmo que eu não veja. Porquê com você fico mais forte, dia após dia. Sim... O que sinto é “A dor de uma saudade infinita”. Porquê nos meus sonhos eu não posso te tocar? Porquê em meus pensamentos eu não posso te beijar? Porquê eu não posso simplesmente ir até você para te abraçar? E te mostrar o que sempre tive vergonha de falar... “Eu Te Amo.” Essa dor que corrompe o meu coração aumenta a cada dia. Sempre que penso que você não está aqui para me amar Que esse sentimento só irá “passar” quando eu te reencontrar Quando eu puder te dizer Eu Te Amo uma única vez... Escura e fria são os dias que não te vejo... Amarga são às horas que passo longe de você! Mas o brilho da esperança que sinto eleva o meu desejo, O meu desejo de te ver e sentir o seu calor. De poder tocar à sua pele e mostrar o quão perfeito você foi! Ah! Como isso dói (viver sem você e ter o seu amor) Eu me recuso a acreditar, a vida não pode ser só isso... Deus não seria tão imperfeito a ponto de nos separar. O “Para Sempre” nunca foi tão verdadeiro em minha vida; A dor e o negrume jamais sairão do meu coração; (enquanto você não estiver ao meu lado) Para me amar e me dizer que está “acabado”? Mais uma lágrima cai de meus olhos neste momento, Mais uma vez não consegui segurar...Desculpe-me Eu sei que isso te faz sofrer, mas isso é o meu “amar” Eu sucumbiria à minha vida para te encontrar, Mesmo tendo que enfrentar o mais escuro mundo Só assim o que sinto iria embora como um todo; Só assim essa dor deixaria minha vida, porque ela é: “A dor de uma saudade infinita”. Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=1117 © Luso-Poemas Este poema nasce de um luto amoroso que não se esconde: é um texto que se escreve como quem tenta tocar o que já não está, como quem estende a mão para um corpo ausente e encontra apenas ar. A abertura — “Quando acordei e não te encontrei” — instala imediatamente a sensação de vazio físico, quase táctil. Não é apenas a ausência de alguém; é a ausência de um peso no colchão, de um cheiro, de um calor. O poema não o diz, mas deixa-o sentir. A dor aqui é doméstica, íntima, quase silenciosa. A progressão inicial — sonho ruim, pesadelo, realidade — funciona como um descer de degraus para dentro da consciência. O sujeito tenta adiar o reconhecimento da perda, como se a mente ainda procurasse um intervalo onde a presença fosse possível. Há uma ternura triste nesse movimento: o poema não dramatiza, apenas acompanha o lento acordar para o irreversível. Quando surge a frase “Você é o meu anjo, meu Santo e meu Deus”, o texto entra num território de devoção que ultrapassa o amor e se aproxima do sagrado. Não é exagero gratuito; é a forma que o sujeito encontra para nomear a dimensão da falta. A dor torna-se uma espécie de oração invertida, onde o que se louva é precisamente aquilo que já não se tem. A intensidade cresce, mas mantém-se contida na linguagem simples, quase confessional. O poema ganha profundidade quando afirma: “E a minha dor nada mais é, que a tradução do que sinto por você.” Aqui, a dor deixa de ser consequência e torna-se linguagem. É um dos momentos mais fortes do texto: a ideia de que o sofrimento é a única forma de manter vivo o vínculo. A líbido do poema — subtil, subterrânea — está precisamente nesta insistência em permanecer ligado, mesmo quando o corpo do outro já não responde. É um desejo que não se cumpre, mas que continua a pulsar. A segunda parte do poema, onde o sujeito declara que teria sofrido no lugar do outro, aproxima-se de uma entrega total, quase sacrificial. Não é melodrama; é a expressão crua de uma vontade de proteger, de guardar, de preservar o que se ama. A frase “Eu teria morrido por você” é dura, mas literariamente eficaz, porque revela a dimensão absoluta do vínculo. O poema não teme o excesso — e, neste caso, o excesso é coerente com a dor que o sustenta. A secção das perguntas — “Porquê nos meus sonhos eu não posso te tocar?” — é talvez a mais íntima. Aqui, o poema toca no limite entre o desejo e a impossibilidade. O toque, o beijo, o abraço surgem como gestos que já não podem acontecer, mas que continuam a viver na imaginação. É o ponto onde o texto se aproxima mais do corpo, mas sempre com delicadeza, sem exposição. A ausência torna-se quase física, como se o ar entre os dois tivesse peso. O final, com a repetição de “A dor de uma saudade infinita”, fecha o poema num círculo perfeito: começa na ausência e termina na impossibilidade de a ultrapassar. A saudade aqui não é apenas memória; é uma força que corrói e sustém ao mesmo tempo. O poema vive dessa contradição: o que dói é também o que mantém o sujeito vivo. O elogio que merece: a capacidade de transformar a dor em discurso contínuo. Há imagens fortes, sobretudo nas perguntas dirigidas ao corpo ausente. A voz é autêntica e não tenta esconder a vulnerabilidade. A crítica necessária: por vezes o poema alonga-se em repetições que diminuem a tensão; alguns versos poderiam ser mais contidos para que a dor brilhasse com mais precisão. Mas a respiração geral mantém-se firme e a intensidade nunca se perde.
Criado em: Hoje 7:33:14
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