72. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Diego M.. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Diego M..
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Política não... politicagem! Que és ciência bela, Política Contudo, forma políticos corruptos, pilantragem De caráter duvidoso, índole satírica! Como toda regra tem sua exceção Escapa um... entre mil!... Cria projetos para execução Mas, grande parte torna-se viril! Não tem jeito mesmo, tem que ter... Políticos que se dizem políticos... Afogam-se no doce sonho do Poder Sem perceber, mentalmente, são paralíticos! Tudo está perdido! o perdido procura-se, é achado... Sanguessuga... está prestes a ser tachado!... Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=2130 © Luso-Poemas Este poema entra num registo satírico e moralizante, afastando-se do lirismo introspectivo dos textos anteriores e aproximando-se da tradição da poesia de intervenção — aquela que denuncia, expõe, ridiculariza e acusa. A voz poética assume-se como observadora indignada, alguém que olha para o campo político e vê nele não a “ciência bela” que deveria ser, mas a sua perversão quotidiana: a politicagem, termo que já carrega em si a degradação da prática. A abertura é eficaz: “Política não… politicagem!” — o verso funciona como um estalo, um corte imediato entre ideal e realidade. A seguir, o poema constrói um contraste entre a nobreza teórica da política e a baixeza prática dos políticos corruptos. A rima entre “Política” e “pilantragem” é deliberadamente dissonante: aproxima o sublime do grotesco, reforçando a ideia de que a corrupção contamina até a própria linguagem. A segunda estrofe introduz um elemento importante: a exceção. “Como toda regra tem sua exceção / Escapa um… entre mil!” — este gesto retórico é clássico na sátira: reconhecer que há raridade virtuosa apenas para sublinhar a esmagadora presença do vício. O verso “Mas, grande parte torna-se viril!” é ambíguo: “viril” aqui não tem conotação de força, mas de arrogância, de poder exibicionista, quase animalesco. A escolha da palavra é irónica, e a ironia é um dos motores do poema. A terceira estrofe intensifica o tom acusatório: “Políticos que se dizem políticos… / Afogam-se no doce sonho do Poder”. A repetição de “políticos” expõe a impostura: não são o que afirmam ser. O “doce sonho do Poder” é uma imagem feliz — o poder como açúcar que vicia, que embriaga, que anestesia. A metáfora do afogamento reforça a ideia de que o desejo de poder não só corrompe como destrói. O verso seguinte — “Sem perceber, mentalmente, são paralíticos!” — é duro, quase cruel, mas coerente com o tom satírico. A paralisia mental aqui não é deficiência, mas incapacidade moral: a mente que deveria pensar o bem comum está atrofiada pelo egoísmo. O fecho — “Tudo está perdido! o perdido procura-se, é achado… / Sanguessuga… está prestes a ser tachado!” — devolve o poema ao campo da denúncia pública. A imagem da sanguessuga é antiga na literatura política, mas continua eficaz: o parasita que vive do sangue alheio, que se alimenta do povo. O uso de reticências e da exclamação dá ao final um tom de aviso, quase de sentença. Formalmente, o poema mantém um ritmo irregular, mas adequado ao tom de indignação. As rimas são simples, por vezes forçadas, mas isso faz parte da estética da sátira popular: a forma não pretende ser elevada, pretende ser incisiva. Há pequenas falhas de métrica e de ortografia, mas elas não prejudicam o efeito geral; pelo contrário, reforçam a sensação de espontaneidade e de fala direta, quase panfletária. No conjunto, este é um poema que cumpre bem o seu propósito: denunciar, expor, provocar. Não busca subtileza — busca impacto. E consegue-o através de imagens fortes, ironia mordaz e um tom de desencanto que ecoa a tradição da poesia política lusófona, da sátira barroca ao panfleto contemporâneo.
Criado em: Hoje 19:24:48
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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