75. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Alguem. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Alguem.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Com a minha visão te quero ver brilhar, Com a minha audição te quero ouvir susurrar, ... <br />Com a minha visão te quero ver brilhar, Com a minha audição te quero ouvir susurrar, Com o meu olfacto te quero cheirar, Com o meu paladar te quero saborear, Com o meu tacto te quero sentir, e Com o meu coração te quero AMAR! Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=2169 © Luso-Poemas Este poema trabalha a enumeração dos cinco sentidos como dispositivo retórico para construir um crescendo erótico‑afetivo que culmina no verbo “AMAR”. A crítica deve observar como essa estrutura funciona, onde se repete, onde ganha força e onde perde precisão. A repetição inicial — “Com a minha visão te quero ver brilhar, / Com a minha audição te quero ouvir sussurrar” — estabelece um paralelismo claro, mas demasiado literal. A visão “a ver brilhar” e a audição “a ouvir sussurrar” são imagens previsíveis, quase automáticas, que não acrescentam singularidade ao sujeito amado. Falta-lhes uma torção metafórica, um detalhe que transforme o gesto sensorial em experiência poética. A sequência dos sentidos — olfacto, paladar, tacto — mantém a mesma estrutura sintática, o que cria ritmo, mas também monotonia. “Cheirar”, “saborear”, “sentir” são verbos diretos, quase fisiológicos, e o poema não tenta expandi-los para além do óbvio. A enumeração funciona como catálogo, não como revelação. O leitor percebe a intenção — aproximar o corpo amado através de cada sentido — mas não encontra imagens que o surpreendam ou que criem densidade emocional. O fecho — “e com o meu coração te quero AMAR!” — tenta resolver o poema com um salto do físico para o afetivo. A ideia é clara: depois dos sentidos, o coração. Contudo, o uso de maiúsculas (“AMAR”) denuncia uma dependência de ênfase gráfica em vez de força poética. O verso final é eficaz como intenção, mas literariamente pobre: não há construção prévia que justifique o clímax emocional. Do ponto de vista formal, o poema é simples, regular, mas excessivamente repetitivo. A anáfora “Com o meu/minha…” cria cadência, mas também limita a expressividade. A ausência de imagens concretas — nenhuma metáfora, nenhuma comparação, nenhum detalhe sensorial específico — reduz o texto a uma declaração genérica de desejo. O mérito do poema está na clareza da intenção: transformar os sentidos em vias de aproximação amorosa. Mas falta-lhe risco, singularidade e imaginação. A poesia que trabalha os sentidos — pense-se em Herberto Helder, Eugénio de Andrade, Hilda Hilst — não enumera: encarna. Aqui, a enumeração substitui a experiência.
Criado em: Hoje 16:35:41
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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