80. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - David_Ferreira. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de David_Ferreira.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Com o nascer do dia Largo os sonhos da noite Vivências da fantasia Desejos do cavaleiro da mente É o despertar de emoções Que revivem os sentimentos É alegria das sensações A delicia dos pensamentos Memorias de sonhos vividos Da vivência de memorias sonhadas Canções que percorrem os ouvidos Imagens que dizem palavras Um passo me devolve à realidade Dum erguer para o céu que desperta Exaltação e sobriedade Apesar desta vida incerta -/- A meio da longa jornada Que curta se torna de desejo Termine já a manhã passada O alvorecer que já não vejo Como uma vida de incerteza Que dum passado se afasta Pois é com grande certeza Que a recordo deveras nefasta E penso em tudo que falta O caminho que irei ainda cruzar A montanha pode ser alta Mas sem medo a irei trespassar E com toda a coragem me enfrento A um longo misterioso caminhar Sem saber que terrível tormento Poderei ainda encontrar -/- Aproximo-me já da saudade Daquele distante alvorecer Que me deu esperança e vontade De nunca olhar para trás e me perder Recordo cada passo de gigante Que sempre me fez perceber Não passo de um grande ignorante Que tem ainda muito a aprender E chego agora ao momento De minhas memorias guardar Lembrarei todo o sofrimento E a alegria que ousei desfrutar Ao dia mostro um sorrir Não só pelo que pude presenciar Comprovei que vale a pena pedir Por mais um dia poder sonhar… Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=2216 © Luso-Poemas Poema organizado como percurso existencial, dividido em três movimentos, cada um com o seu próprio clima emocional, mas todos ligados por uma mesma respiração: a consciência do tempo e a tentativa de o habitar com lucidez. Há aqui uma estrutura quase narrativa, mas filtrada pela sensibilidade lírica — o que permite ao texto manter a leveza da poesia mesmo quando se aproxima da reflexão. O primeiro movimento trabalha a transição entre sonho e vigília. “Com o nascer do dia / Largo os sonhos da noite” é uma abertura clássica, mas eficaz, porque estabelece logo o eixo simbólico: o dia como retorno ao real, a noite como território da imaginação. A estrofe seguinte reforça essa ideia com simplicidade: emoções que despertam, sensações que se revivem, pensamentos que se deliciam. É uma linguagem clara, sem artifícios, que aposta mais na sinceridade do que na invenção. A terceira estrofe — “Memorias de sonhos vividos / Da vivência de memorias sonhadas” — cria um jogo interessante entre o vivido e o sonhado, embora a repetição de “memórias” e “vivências” possa soar redundante. Ainda assim, a intenção é clara: o sujeito poético vive num limiar onde o sonho contamina o real. O fecho desta primeira parte, com o erguer para o céu e a exaltação temperada pela sobriedade, dá-lhe um tom quase litúrgico, como se o amanhecer fosse um rito de passagem. A segunda secção é mais sombria. A manhã, antes luminosa, torna-se curta, quase insuficiente. O desejo de que “termine já a manhã passada” introduz uma impaciência que contrasta com a serenidade inicial. Aqui o poema ganha densidade emocional: o passado é “nefasta”, a vida é “incerteza”, a montanha é alta mas transponível. Esta parte é a mais forte do poema, porque trabalha bem a tensão entre medo e coragem. O verso “Mas sem medo a irei trespassar” tem uma firmeza que sustenta toda a estrofe. A linguagem continua simples, mas a cadência torna-se mais firme, mais afirmativa. A última quadra desta secção — “Sem saber que terrível tormento / Poderei ainda encontrar” — devolve a vulnerabilidade, equilibrando a coragem com a consciência do desconhecido. É um bom contraste. A terceira parte é a mais melancólica e, ao mesmo tempo, a mais madura. A aproximação à saudade do “distante alvorecer” cria um arco que liga o início ao fim: o amanhecer não é apenas um momento do dia, mas um símbolo de esperança. O sujeito poético reconhece a própria ignorância — “Não passo de um grande ignorante / Que tem ainda muito a aprender” — e este é um dos versos mais honestos do poema. A estrofe seguinte, sobre guardar memórias, sofrimento e alegria, funciona como síntese da jornada. O fecho — “Comprovei que vale a pena pedir / Por mais um dia poder sonhar” — encerra o poema com uma nota de esperança que não é ingénua, porque vem depois da travessia, do medo, da consciência da dor. Formalmente, o poema é claro, linear, sem grandes ousadias métricas ou imagéticas. A força está na sinceridade e na organização interna: cada parte cumpre uma função emocional distinta, e o conjunto forma um arco coerente. A fragilidade está, por vezes, na repetição de ideias e na previsibilidade de algumas imagens, mas isso não compromete o efeito geral. É um texto que se lê como um diário poético de um dia que é, na verdade, uma vida inteira condensada.
Criado em: Hoje 6:48:04
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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