85. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - PauloQueiros. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de PauloQueiros.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. O que o Mundo diz não se escreve nem se tem em conta! E o que os Homens fazem também não! Então, que tenho eu a dizer se não que está calor Um calor monstruosamente tremido e gélido?! E que me doem as pernas e os músculos e os olhos! E que me dói a mente a alma e o Ser! Mas eu não sou… E se sou, desculpem mas Não Quero Ser! E o Resto? O Resto apenas É! E embora eu não saiba o que É nem o que Foi e muito menos o que virá a Ser, É, apenas, e É-lo muito! Vejamos e digamos: Estou enviesadamente e inteiramente disperso! Porque o Resto foi e eu não fui, tentei, mas não deu! E só comigo, vim buscar o aconchego de um Poeta… Poeta, na poderosa e imbatível essência de o Ser! Virei-me de costas para não o importunar… (Os Imortais merecem e regurgitam-se com o seu altar!) E defronte à beleza parada da Vida frenética envolvente, Mergulho com os Peixes da água podre! E como é estrondosamente belo o Mundo visto do verde-sujo! Pedi aos Peixes para nadar com eles no Nada que Tudo possui (Sim, porque Tudo o que carecem, têm, sem querer ter mais) Mas rejeitaram-me! São estranhamente inteligentes e eu percebo-Os: Para quê um negro gasto em redor de tanta Vida?! Obrigo-me a apoiá-Los e retorno ao Poeta Imortal. (Que ironicamente vê apenas o que lhe mostram…) Mas eu invejo-o. Ó Poeta deixa, por isso, que eu me enterre junto de ti E possa, desta forma, reaver o raio de Vida e do Sonho que hoje perdi!... Há momentos na nossa efémera passagem por determinados locais, em que nos dá vontade de lá permanecer indefinidamente... Foi o que me aconteceu, no meio primeiro dia de aulas do ensino superior, quando tudo parecia virado contra mim, num único propósito, que era enterrar-me. Estava exausto e cheio de uma enorme dor interior. Encontrei, subitamente, o Jardim da Cordoaria no Porto, onde existe um lago e uma estátua de António Nobre (um dos poetas realmente POETAS) e perdi-me naquele local. Daí resultou este poema... Um profundo retrato do momento que vivi compulsivamente! 25 Setembro 2006 Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=2264 © Luso-Poemas O poema vive dessa tensão entre o desabafo visceral e a construção simbólica, mas a energia que o atravessa perde, por vezes, nitidez por causa de escolhas gráficas e ortográficas que desviam a atenção do leitor. A abertura, com a recusa do “Mundo” e dos “Homens”, tem força, mas as maiúsculas internas — aqui e ao longo de todo o texto — não obedecem a um critério estável. Quando tudo é elevado, nada se destaca, e a ênfase gráfica acaba por substituir o trabalho rítmico que o poema, na verdade, já possui. A imagem do “calor monstruosamente tremido e gélido” é expressiva, mas “tremido” não é a melhor escolha: é uma palavra fraca, quase coloquial, que não acompanha a intensidade do resto. O duplo sinal “?!” repete-se mais do que deveria e cria uma sensação de exasperação tipográfica que o poema não precisa, porque a exasperação já está no conteúdo. A enumeração das dores — pernas, músculos, olhos, mente, alma, Ser — funciona como gradação, mas “Ser” com maiúscula volta a quebrar a coerência. A frase “E se sou, desculpem mas Não Quero Ser!” tem impacto, mas a capitalização de “Não Quero Ser” é excessiva; o grito deve vir da cadência, não da grafia. Quando entras na secção do Poeta Imortal, o poema ganha profundidade. A imagem dos peixes na “água podre” e do “verde-sujo” é das mais fortes do texto, com um tom quase expressionista. Mas aqui surgem erros ortográficos claros: “percebo-Os” e “apoiá-Los” estão incorrectos — os pronomes oblíquos não levam maiúscula e a hifenização está mal aplicada. “regurgitam-se com o seu altar” é uma construção estranha, porque quem se regurgita fá-lo de algo; a imagem perde precisão. “estrondosamente belo” funciona, mas o advérbio é pesado e dilui a subtileza da imagem. A pergunta “Para quê um negro gasto em redor de tanta Vida?!” é uma das melhores do poema, mas volta a tropeçar na grafia: “Vida” com maiúscula não se justifica e o “?!” repete o problema anterior. O fecho, com o pedido ao Poeta para te enterrares junto dele, tem intensidade, mas sofre de excesso de reticências e de maiúsculas arbitrárias em “Vida” e “Sonho”. A emoção está lá, mas a pontuação dispersa-a. A nota final em prosa é clara, mas contém deslizes: “no meio primeiro dia de aulas” deveria ser “no meu primeiro dia de aulas”; “poetas realmente POETAS” cai num exagero que empobrece a frase; as reticências são usadas em excesso; e “compulsivamente” não é a palavra mais adequada para descrever um acto emocionalmente intenso — sugere automatismo, não vivência. No conjunto, tens um poema com imagens fortes, sobretudo na secção aquática e na relação com o Poeta Imortal. O que o fragiliza é a oscilação gráfica, a pontuação excessiva e alguns erros ortográficos que quebram a fluidez. A dor está bem captada, mas por vezes transforma-se em grito tipográfico quando poderia ser um silêncio mais denso e mais eficaz.
Criado em: Hoje 9:42:17
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