88. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - João Videira Santos.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de João Videira Santos.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

com este grão
que trago
em minha mão,
matei a fome,
semeei o pão.

...e para que o medo não me tomasse
plantei um homem
para que o futuro vingasse.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=2326 © Luso-Poemas

Este poema trabalha numa economia extrema de linguagem, e é precisamente essa contenção que lhe dá força. A imagem inicial — o grão na mão, que mata a fome e semeia o pão — é de uma simplicidade quase bíblica, mas eficaz: o gesto mínimo contém em si a sobrevivência e a promessa. A rima interna discreta entre “fome” e “pão” não é sonora, mas conceptual, e funciona porque não tenta ornamentar; limita‑se a enunciar.

A segunda parte, introduzida pelas reticências, cria uma mudança de tom, mas aqui surge o primeiro problema formal: as reticências são excessivas e não acrescentam tensão. O verso “...e para que o medo não me tomasse” poderia dispensar esse arranque suspenso; o poema ganharia firmeza se entrasse directamente na frase. A construção “plantei um homem / para que o futuro vingasse” é a mais forte do texto, mas também a mais ambígua. A metáfora é poderosa — plantar um homem como se planta uma semente — mas a formulação deixa margem para leituras contraditórias: é um gesto de esperança ou de desespero? A ambiguidade é produtiva, mas poderia ser mais lapidada.

Do ponto de vista ortográfico, há apenas um deslize: “Esta vazio” deveria ser “Está vazio”, mas esse erro não aparece neste poema; surge no anterior. Aqui, tudo está correcto. O único ponto discutível é a ausência de vírgula depois de “homem”, que tornaria a frase mais clara: “plantei um homem, / para que o futuro vingasse.” Não é obrigatório, mas ajudaria na respiração do verso.

O poema, no conjunto, vive da tensão entre o mínimo e o simbólico. A primeira estrofe é quase um provérbio; a segunda, uma alegoria. A força está na contenção, e o texto sabe não se alongar. O que o fragiliza é apenas o uso das reticências, que quebram a firmeza do gesto poético. Ainda assim, a imagem final — plantar um homem para que o futuro vingue — é suficientemente forte para sustentar o poema inteiro.

Criado em: Hoje 9:55:25
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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