130. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - NunoD.
Moderador
Membro desde:
24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
Mensagens: 4182
O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de NunoD.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

oh quantos encantos possuis
nesses teus lindos olhos azuis
lindos com safiras
com um brilho excepcional
olhos esses que que emanam ternura
e que emanam carinho
olhos sem amargura
olhos que gostaria de ter a meu lado
para deles poder receber
a ternura e o carinho
e da amargura me esconder


Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=4427 © Luso-Poemas

O poema trabalha uma simplicidade declarada, quase ingénua na superfície, mas que revela um mecanismo interno claro: a repetição como insistência afectiva. A estrutura é construída em torno de um único eixo imagético — os olhos azuis — que funcionam como centro gravitacional de todo o texto. A insistência no adjetivo “lindos” e na cor cria um efeito de martelar emocional, que não é subtil, mas é coerente com o tom de devoção que o poema pretende sustentar.

A comparação com “safiras” é previsível, mas eficaz dentro do registo escolhido; o brilho “excepcional” reforça a idealização, embora o adjetivo, por ser genérico, retire alguma força imagética. O poema ganha mais consistência quando abandona os qualificativos abstratos e entra no campo sensorial: “emanam ternura”, “emanam carinho”. Aqui, a repetição funciona melhor, porque cria um ritmo de aproximação, como se o sujeito poético tentasse convencer-se da própria emoção.

Há, no entanto, um desequilíbrio entre a intensidade do sentimento e a pobreza lexical de alguns versos. A expressão “olhos sem amargura” é interessante, porque introduz uma negação que contrasta com o excesso de doçura anterior; mas logo a seguir o poema regressa ao desejo de proximidade (“olhos que gostaria de ter a meu lado”), e essa oscilação, embora emocionalmente compreensível, enfraquece a progressão poética. Falta-lhe um salto imagético, uma metáfora que desloque o texto para além da descrição literal.

O fecho — “para deles poder receber / a ternura e o carinho / e da amargura me esconder” — é o mais sólido do conjunto. A inversão final, onde o eu lírico se refugia nos olhos do outro para escapar à amargura, cria uma pequena torção dramática que dá ao poema uma função: não é apenas admiração, é abrigo. Aqui, sim, surge uma centelha de densidade emocional que poderia ter sido explorada desde o início.

No conjunto, o poema cumpre o que promete: é directo, afectivo, transparente. Mas poderia ganhar muito se arriscasse imagens menos convencionais e se reduzisse a repetição de adjetivos genéricos, substituindo-os por metáforas mais trabalhadas ou por detalhes sensoriais que tornassem os olhos descritos verdadeiramente únicos no universo do poema.

Criado em: Hoje 17:15:34
_________________
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
Transferir o post para outras aplicações Transferir







Links patrocinados