139. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - arianazita.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de arianazita.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

SÍSIFO CUMPRIDOR

Plantei uma estrada
Sem mais nada
Do que palavras de sonhador.
Colhi um caminho
Com igual destino
Ao de um Sísifo cumpridor:
O Eterno Recomeço.
E o sino que dobra solene
Soa-me a vidas sempre iguais.
Projecto golpes compassados
Naquele relógio de horas brutais.
O de Kronos...
Consumidor de momentos.
Momentos ameaçados.
Uma chávena de café.
Um intervalo na vida, se faz favor,
Enquanto sorvo memórias quentes.
Sem açúcar...
Que os tempos são diferentes!
E o fumo avassalador
Que pinta a cidade
Vem de um fumador de sonhos;
Do meu cigarro
Que jaz apagado.
Como tudo é ilusão.
Como tudo se consome depressa.
E ainda agora começou a festa.
Em tanta coisa,
Com tão pouco tempo.
Meu Deus – És Deus (?)
E o que é viver?

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=4661 © Luso-Poemas

O poema articula-se a partir de uma metáfora axial — Sísifo — que funciona como chave interpretativa para todo o texto. A abertura, “Plantei uma estrada / Sem mais nada / Do que palavras de sonhador”, estabelece um gesto fundador: a tentativa de criar sentido através da linguagem. A imagem é eficaz, mas a rima interna “estrada / nada” aproxima-se de uma musicalidade demasiado previsível, que contrasta com a densidade conceptual que o poema procura. A colheita de “um caminho / com igual destino / ao de um Sísifo cumpridor” introduz a ideia de repetição inevitável, mas a expressão “cumpridor” suaviza a tragédia do mito, dando-lhe um tom quase burocrático, o que pode ser lido como ironia ou como atenuação involuntária da força simbólica.

A secção seguinte, marcada pelo sino que “dobra solene”, convoca um imaginário fúnebre, mas a transição para “vidas sempre iguais” torna a imagem mais literal do que necessária. O verso “Projecto golpes compassados / Naquele relógio de horas brutais” é dos mais fortes: há aqui uma violência contida, um combate contra Kronos que se materializa num gesto quase físico. A personificação do tempo como “Consumidor de momentos” é eficaz, embora o verso “Momentos ameaçados” repita a ideia sem acrescentar profundidade.

A entrada da chávena de café funciona como quebra de tom e aproxima o poema do quotidiano, mas essa descida ao banal é deliberada: o “intervalo na vida” é uma suspensão mínima dentro do ciclo sisífico. A frase “Sem açúcar… / Que os tempos são diferentes!” introduz um humor amargo, embora a pontuação e o ritmo criem um ligeiro desvio coloquial que contrasta com o tom mais elevado do início. O fumo que “pinta a cidade” e o “fumador de sonhos” são imagens interessantes, mas o verso “Do meu cigarro / Que jaz apagado” torna a metáfora demasiado explícita, retirando-lhe parte da sugestão.

A reflexão final — “Como tudo é ilusão. / Como tudo se consome depressa.” — aproxima-se de um enunciado filosófico, mas a formulação é genérica e poderia beneficiar de maior concretização imagética. O verso “E ainda agora começou a festa” introduz uma ironia que funciona bem, porque contrasta com o tom sombrio anterior. O fecho, com a invocação “Meu Deus – És Deus (?) / E o que é viver?”, tenta elevar o poema a uma dimensão metafísica, mas a interrogação sobre a própria divindade surge abrupta, sem preparação suficiente ao longo do texto, criando uma sensação de deslocamento conceptual.

Em termos formais, o poema alterna entre momentos de grande força simbólica — sobretudo na relação com o mito e com o tempo — e outros em que a linguagem se aproxima de expressões demasiado diretas ou explicativas. A oscilação entre o quotidiano e o metafísico é interessante, mas a transição entre esses planos poderia ser mais orgânica. Ainda assim, há um ritmo interno consistente e uma boa capacidade de articular o cansaço existencial com imagens concretas que ancoram o texto na experiência vivida.

Criado em: Hoje 7:00:50
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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