141. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - JoaquimPinto. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de JoaquimPinto.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Exprimir todos os sentimentos de uma vida, não é só complicado… É impossível. Sentir, pensar, sonhar… Na eterna ignorância não é só ser feliz como especial. Não saber o “Porquê”, nem o para “Quê”, viver só por viver. Até que… Um dia se sente “algo”, uma dor interna e interior, onde tudo se transforma e o Sentimento desaparece, para dar lugar apenas ao Pensamento, que por sua vez nos leva a reflexão e a razão, estes sim… Doem. Tentando mil e um esconderijos para tal, o humor, a distracção, felicidade aparente, pois é tudo em vam, de nada ou pouco adianta o pensar e a razão sempre viram, e não haverá sentido nem significado para tal existência. Mas será que tal Dor e tal sensação nos acompanhará por toda a nossa eterna e curta vida?!? Duas afirmações fazem parte desta, inicialmente “Obrigado por eu existir” e por fim “Qual o sentido da minha existência”, ou não será o final, haverá outro fim!?! “Quem sou? Uma boa pergunta, a qual o acaso não me deixa responder por nem eu próprio o saber!!! Sou o vento, a lua, o pensar, o sonhar ou então serei apenas e talvez uma simples pessoa…” Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=4729 © Luso-Poemas O texto organiza-se como um fluxo reflexivo que oscila entre confissão existencial e tentativa de formulação filosófica, mas essa oscilação nem sempre encontra um eixo rítmico estável. A abertura — “Exprimir todos os sentimentos de uma vida… é impossível” — coloca de imediato o sujeito num registo absoluto, mas a formulação é demasiado declarativa, quase ensaística, o que retira alguma tensão poética ao início. A sequência “Sentir, pensar, sonhar… Na eterna ignorância” tenta condensar três estados da consciência, mas a justaposição não é plenamente trabalhada; funciona mais como enumeração do que como progressão simbólica. A frase “não é só ser feliz como especial” cria uma ambiguidade sintática que enfraquece o impacto, porque não se percebe se a intenção é ironizar ou elevar o estado descrito. A viragem ocorre com a entrada da dor — “uma dor interna e interior” — mas a redundância entre “interna” e “interior” dilui a força da imagem. Ainda assim, a ideia de que o sentimento desaparece para dar lugar ao pensamento é interessante, porque inverte a lógica habitual da poesia confessional, onde o pensamento costuma surgir como tentativa de controlar a emoção. Aqui, pelo contrário, o pensamento é apresentado como aquilo que dói, e essa inversão é um dos pontos mais fortes do texto. No entanto, a frase “estes sim… Doem” recorre a uma pontuação que dramatiza em excesso, criando um efeito quase teatral que contrasta com a densidade conceptual que o texto tenta alcançar. A secção sobre os “mil e um esconderijos” — humor, distração, felicidade aparente — aproxima-se de um léxico comum na escrita introspectiva contemporânea, mas a expressão “é tudo em vam” (com erro ortográfico que não parece intencional) quebra a fluidez e introduz um ruído que não acrescenta sentido. A afirmação de que “não haverá sentido nem significado para tal existência” é demasiado direta, quase filosófica em tom, mas sem o rigor conceptual que sustentaria uma afirmação dessa natureza. O texto parece querer aproximar-se de um existencialismo intuitivo, mas sem a elaboração imagética que lhe daria corpo. A pergunta sobre a dor que acompanha “a eterna e curta vida” é eficaz na sua contradição — eterna e curta — mas a formulação com múltiplos sinais de interrogação e exclamação cria novamente um excesso gráfico que enfraquece o impacto. As duas afirmações finais — “Obrigado por eu existir” e “Qual o sentido da minha existência” — funcionam como polos de um arco narrativo, mas a transição entre gratidão e dúvida não é plenamente construída ao longo do texto, surgindo mais como conclusão abrupta do que como consequência orgânica do percurso emocional. O parágrafo final, entre aspas, introduz uma mudança de voz que poderia ser interessante, mas a enumeração — vento, lua, pensar, sonhar — aproxima-se de um simbolismo demasiado genérico. A frase “ou então serei apenas e talvez uma simples pessoa” tenta criar um contraste entre grandeza metafórica e humildade existencial, mas a construção sintática torna o verso pesado, e a hesitação (“apenas e talvez”) enfraquece a força da conclusão. Em termos formais, o texto revela uma busca autêntica por sentido, mas oscila entre o poético e o discursivo sem encontrar uma síntese consistente. Há momentos de boa tensão — sobretudo na relação entre sentimento e pensamento — mas o excesso de explicitação, a pontuação dramatizada e algumas imagens pouco trabalhadas impedem que a reflexão ganhe densidade literária plena. Ainda assim, o texto tem uma honestidade crua que sustenta a leitura e abre espaço para um desenvolvimento mais rigoroso da voz poética.
Criado em: Hoje 6:47:14
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