153. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Vilpe.
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De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Vilpe.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Foi por ser grande,
Ou por ser maior que eu
Foi por ser pássaro
Ou por saber merecer o céu
Foi por ser laço
Ou por dar nós no destino
Por ser coragem
Ou por ter perdido o tino.
Só sei que fui,
Que deixei de prestar vassalagem
Aos que me gritam sem ter amado
Aos que sentem sem ser do peito,
E me impingem este fado…

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=5095 © Luso-Poemas

Este texto abre-se como um inventário de hipóteses — “foi por ser grande”, “foi por ser pássaro”, “foi por ser laço” — e essa enumeração funciona como um mecanismo de aproximação ao indizível: o sujeito poético tenta nomear a causa, mas cada nomeação é apenas uma aproximação falhada, um gesto que toca o centro sem o fixar. A estrutura anafórica cria um ritmo de procura, quase de interrogatório interior, e o poema vive dessa tensão entre a tentativa de explicação e a consciência de que nenhuma explicação basta. Há uma oscilação interessante entre grandeza e desorientação (“por ser coragem / ou por ter perdido o tino”), que introduz uma ambiguidade produtiva: a coragem e o desvario surgem como duas faces da mesma força que arrasta o eu. A dicção é simples, mas não simplista; há uma economia de imagens que funciona bem, sobretudo no verso “por dar nós no destino”, que é o mais forte do conjunto, porque condensa a ideia de vínculo, fatalidade e artesania do viver. A viragem final — “só sei que fui” — é eficaz, porque abandona a enumeração e assume a única certeza possível: a acção, o movimento, a renúncia à “vassalagem”. A crítica aos que “gritam sem ter amado” e “sentem sem ser do peito” introduz um tom moral que, embora coerente com o fado que o eu diz carregar, é menos subtil do que o resto do poema; ainda assim, não quebra a unidade, porque surge como consequência natural da libertação anunciada. Há um ligeiro tropeço rítmico em “e me impingem este fado…”, talvez por excesso de coloquialidade, mas não compromete o conjunto. O poema, no seu todo, sustenta-se na tensão entre grandeza e perda, entre voo e nó, e encontra aí a sua força.

Criado em: Hoje 7:32:42
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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