161. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Jimenna. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Jimenna.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Em mim existe uma veia velha, gastada e gorda. Uma conhecida que lateja, me incomoda… se usa do meu sangue e cospe minha natureza! Em mim existe uma veia que tantas e tantas vezes cansei de percorrer. Ela late, late, me aborrece! Algumas vezes se corta, resentida Inchada de meu sangue! E meu coraçao agoniza Uma ânsia… e lhe busca com furor. Brutalmente a lambo, a mordo, a uso, a xingo, me envergonho… a amo, como o animal que sou. E a cada dia mais a nego e sou cada vez mais ela… Preciso de arte! A cada dia Nessa tentativa suicida de requintar minha viceralidade. Em mim existe uma veia que é outra, mas sendo eu. Que nao pode compreender… Por que eu sou mais! Que me puxa, me hidrata, me afoga, me ata à minha primitividade… e eu quero mais! Quero mais… e eu a quero tanto! Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=5292 © Luso-Poemas O poema constrói-se como uma pulsação que se impõe desde o primeiro verso, onde a veia “velha, gastada e gorda” se afirma como entidade quase autónoma, mais do que parte do corpo, uma presença que incomoda e devolve ao eu lírico a sua própria natureza cuspida de volta Página atual. A repetição de “Em mim existe uma veia” cria um movimento circular que reforça a ideia de um percurso interno exausto, tantas vezes percorrido que já perdeu novidade e se tornou irritação constante, e essa irritação é sublinhada pela insistência sonora de “late, late, me aborrece” Página atual, onde a cadência quase infantil contrasta com a violência emocional que se anuncia. A imagem da veia que “se corta, resentida / Inchada de meu sangue” intensifica a fusão entre corpo e emoção, mas também revela um certo excesso verbal que por vezes dilui a força imagética, sobretudo quando a sintaxe se aproxima do desabafo. O verso “E meu coração agoniza / Uma ânsia… e lhe busca com furor” Página atual devolve ao poema uma tensão mais concentrada, onde o corpo deixa de ser apenas cenário e se torna motor de desejo e dor. O núcleo mais poderoso surge na sequência brutal em que o eu lírico afirma “a lambo, a mordo, a uso, a xingo, me envergonho… a amo” , porque aqui a linguagem abandona qualquer tentativa de elevação e assume a animalidade de forma crua, sem metáfora, sem mediação, num ritmo que se aproxima de um ritual de violência e devoção. A frase seguinte, “como o animal que sou” Página atual, funciona como confissão e sentença, e é talvez o ponto mais honesto do poema, onde a voz se reconhece sem ornamento. Quando surge a exclamação “Preciso de arte!” , há uma mudança brusca de registo que quebra um pouco a coerência emocional, porque a palavra “arte” aparece como abstração súbita, quase um pedido de salvação que não foi preparado pela tessitura imagética anterior. A tentativa de “requintar minha viceralidade” Página atual (com a correção ortográfica necessária: visceralidade) introduz um contraste interessante entre o bruto e o refinado, mas o termo técnico pesa mais do que eleva. A última secção retoma o motivo da veia, agora “outra, mas sendo eu” , e essa formulação paradoxal devolve ao poema a ambiguidade identitária que o atravessa desde o início. A incompreensão expressa em “Que não pode compreender… Por que eu sou mais!” Página atual reforça a tensão entre o eu que se quer expandido e a força interna que o puxa para a primitividade, como se a veia fosse uma âncora biológica que impede qualquer transcendência. O fecho, com o crescendo “me puxa, me hidrata, me afoga, me ata à minha primitividade… e eu quero mais! Quero mais… e eu a quero tanto!” , intensifica o desejo, mas também se alonga em repetições que diminuem a contundência final; a emoção é forte, mas a forma dispersa parte dessa força. A crítica mantém a leitura rigorosa do texto, integrando as tensões entre corpo, desejo, animalidade e tentativa de sublimação, sem recorrer a qualquer estrutura tópica.
Criado em: Hoje 6:34:24
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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