208. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - celitomedeiros. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de celitomedeiros.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Quero uma boa poesia, ora se quero! Como o quero-quero no arpão lhe cai Peregrino das palavras qual ferro Ou doces rimas que tanto sonho atrai Não quero mudar meu amor de outrora Mesmo alimentando um pássaro vivaz Quero doce melodia que a palavra traz Para encantar-me da noite à aurora Quero rebuscar o canto das manhãs Comer o doce das melhores maçãs Sentir o embalo das sentenças nobres Não quero alimentar as rimas pobres Nem mesmo aplaudir meros acordes Quero contemplar escritas de avelãs! Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=7464 © Luso-Poemas Este poema assume desde o primeiro verso uma consciência metapoética clara: o sujeito não fala apenas de poesia, fala para a poesia, reivindica-a, exige-a, como quem convoca uma entidade viva. A abertura — “Quero uma boa poesia, ora se quero!” — instala um tom coloquial que contrasta com a ambição estética que se segue, criando um jogo interessante entre simplicidade e desejo de elevação. A imagem do “quero‑quero no arpão” é inesperada, quase agreste, e funciona como metáfora de captura: o poeta quer a poesia como o pássaro é colhido no instante fatal, numa tensão entre violência e necessidade. O verso “peregrino das palavras qual ferro” reforça essa dureza, aproximando o eu lírico de um artesão que trabalha o verbo como matéria bruta. O segundo quarteto desloca o poema para um registo mais lírico, onde o amor de outrora e o “pássaro vivaz” convivem com a busca de melodia. Há aqui uma oscilação entre o concreto e o simbólico que dá ao texto uma textura híbrida: ora rústica, ora delicada. A “melodia que a palavra traz” é uma das imagens mais felizes do poema, porque sintetiza a sua intenção: a poesia como música, como alimento, como encantamento que atravessa a noite e chega à aurora. O ritmo acompanha essa intenção, com versos que fluem sem tropeços, sustentados por rimas simples mas eficazes. O terceto seguinte amplia o campo sensorial: “rebuscar o canto das manhãs”, “comer o doce das melhores maçãs”, “sentir o embalo das sentenças nobres”. A poesia torna‑se experiência física, gustativa, quase táctil. É um dos momentos mais fortes do texto, porque o poeta abandona a abstração e mergulha no corpo, no sabor, no gesto. A associação entre fruta e palavra é antiga, mas aqui ganha frescura pela forma como é integrada no movimento do poema. O fecho retoma o tom exigente do início: o eu lírico recusa “rimas pobres” e “meros acordes”, reivindicando uma escrita de “avelãs”. Esta imagem final é curiosa: a avelã é pequena, dura, protegida por casca — uma metáfora interessante para a poesia que se quer densa, saborosa, mas que exige trabalho para ser aberta. É um final que condensa bem o espírito do poema: a poesia como fruto raro, que não se entrega ao primeiro toque. Tecnicamente, o texto é coeso, com rimas bem distribuídas e um ritmo que se mantém estável. Há um ou outro verso que poderia ganhar maior precisão (“peregrino das palavras qual ferro” é forte, mas talvez demasiado abrupto no contexto), mas nada que comprometa o conjunto. O poema vive da tensão entre o desejo e a exigência, entre o coloquial e o sublime, e é precisamente nessa oscilação que encontra a sua força.
Criado em: Hoje 8:20:03
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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