227. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - JotaBê. |
||
|---|---|---|
|
Moderador
![]()
Membro desde:
24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
Mensagens:
4316
|
O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de JotaBê.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Lembras-te daquela vez? Aquele pôr-do-sol Daquele entardecer Morno e suave. Sentados, frente-a-frente, Olhaste nos meus olhos e viste Um pôr-do-sol diferente. Lembras-te? Sentiste Um abraço, envolvente, Da noite que chegava Lentamente. Sentiste? Um beijo, um luar Que furtivamente Nos cercava, nos abraçava, Espelhado no mar. Deixámo-nos ir, Naquele instante, Naquele olhar, Para uma praia distante. Lembras-te daquele olhar? Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=8412 © Luso-Poemas Este poema constrói-se sobre a evocação da memória, recorrendo a um refrão interrogativo — “Lembras‑te?” — que funciona como eixo emocional e estrutural. A repetição, embora eficaz na criação de um tom nostálgico, acaba por ser usada de forma demasiado literal, sem variação rítmica ou semântica que lhe dê maior profundidade. A abertura é simples e directa, mas talvez excessivamente declarativa: “Lembras-te daquela vez? / Aquele pôr-do-sol / Daquele entardecer / Morno e suave.” A enumeração de elementos semelhantes — pôr-do-sol, entardecer — cria redundância e não acrescenta camadas à imagem inicial. Falta-lhe uma metáfora ou um detalhe sensorial que singularize o momento. O poema ganha alguma força quando introduz a cena dos dois sentados “frente-a-frente”, mas a frase “Olhaste nos meus olhos e viste / Um pôr-do-sol diferente” volta a insistir na mesma imagem solar sem a transformar. A ideia de que o olhar contém um pôr-do-sol é interessante, mas não é desenvolvida; fica como enunciado simbólico, não como construção poética. A chegada da noite, descrita como “um abraço, envolvente”, aproxima-se do cliché e não oferece novidade imagética. A personificação da noite poderia ser mais subtil, menos explicada. A secção central, com o “beijo” e o “luar / Que furtivamente / Nos cercava, nos abraçava”, repete o mesmo mecanismo: imagens previsíveis, já muito exploradas na poesia romântica. O uso de verbos como “cercava” e “abraçava” reforça a sensação de que o poema prefere declarar emoções em vez de as sugerir através de imagens mais inesperadas. A referência ao mar espelhado é visualmente agradável, mas também comum, e não se distingue de inúmeras outras descrições semelhantes. A estrofe final tenta elevar o tom com a ideia de uma “praia distante”, mas a expressão é vaga e não cria uma geografia simbólica concreta. O regresso ao refrão — “Lembras-te daquele olhar?” — encerra o poema de forma circular, mas sem acrescentar nova leitura ao que já foi dito. A repetição, que poderia funcionar como insistência emocional, acaba por sublinhar a falta de desenvolvimento interno. No conjunto, o poema tem sinceridade e uma intenção clara de evocação afectiva, mas permanece num registo demasiado genérico, dependente de imagens convencionais e de uma estrutura repetitiva que não evolui. Falta-lhe densidade metafórica, precisão sensorial e uma voz poética mais singular. A memória é evocada, mas não é transformada em matéria literária verdadeiramente própria.
Criado em: Hoje 21:50:32
|
|
|
_________________
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
||
Transferir
|
||