256. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Glaucia A.S.Aquino.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Glaucia A.S.Aquino.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Penso em voce com saudades,
Então fragilizada sonho acordada
Pois te vejo exuberante sorrindo
Feliz por estar comigo ao seu lado

E por esta felicidade vem o desejo de
Salta-lo rapidamente dos meus sonhos
Trazendo-o para a minha realidade
Com toda esta alegria por me amar

Pois a dor de não te-lo ao meu lado
É doida e bastante sofrida, pois voce é:
"A minha razão de viver", e sem voce
Sou um andarilho no caminho das emoções

É... Meu amor por ti, tem sido alimentado
Pelos meus sonhos e fantasias contigo
Porque já vivi ao seu lado, a realidade mais linda
Que sonhei viver com alguem neste mundo

Por isto preciso dos seus abraços fortes,
E do seu carinho e amor que um dia se perdeu
Mas que juntos podemos resgata-lo com amor
Fazendo de nós o casal mais feliz deste mundo

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=9947 © Luso-Poemas

Aqui não há apenas desejo ou saudade, há uma tentativa de reconstrução emocional, quase como se o texto fosse escrito no intervalo entre o que se perdeu e o que ainda se tenta salvar. Vou dar-te a crítica totalmente corrida, sem tópicos, sem grelhas, só leitura humana.

O poema começa com uma imagem de saudade que tenta ser delicada, mas logo se torna excessivamente explicativa. “Penso em você com saudades, / Então fragilizada sonho acordada” tem uma intenção clara, mas a palavra “fragilizada” soa mais a diagnóstico do que a emoção, e isso afasta o leitor da experiência. A força está mais no segundo verso, quando o sorriso exuberante aparece como memória viva; aí o poema respira melhor, porque abandona a abstração e entra numa imagem concreta. No entanto, a construção “Feliz por estar comigo ao seu lado” é redundante: diz duas vezes a mesma coisa, e isso retira intensidade.

A segunda estrofe tenta fazer a ponte entre sonho e realidade, mas tropeça na formulação. “Salta-lo rapidamente dos meus sonhos” é uma expressão que não funciona bem, tanto pela escolha do verbo como pela sonoridade. A ideia é boa — trazer o amado para a realidade — mas a execução não acompanha. Ainda assim, há um momento forte: “Com toda esta alegria por me amar”. É simples, direto, e funciona porque não tenta ornamentar o sentimento.

A terceira estrofe é a mais frágil do poema. “Pois a dor de não tê-lo ao meu lado / É doida e bastante sofrida” é uma repetição de intensidade que não acrescenta nada; “doida” e “sofrida” competem entre si, e nenhuma ganha. A frase seguinte, “pois você é: ‘A minha razão de viver’”, tenta elevar o tom, mas cai num cliché que o poema não consegue sustentar. A imagem final — “Sou um andarilho no caminho das emoções” — é interessante, mas demasiado abstrata para ter impacto real. Falta-lhe corpo, falta-lhe chão.

A quarta estrofe melhora, porque entra numa memória concreta: “Porque já vivi ao seu lado, a realidade mais linda / Que sonhei viver com alguém neste mundo”. Aqui o poema encontra uma verdade mais sólida, porque fala de algo vivido, não apenas desejado. A frase tem ritmo, tem sinceridade, e não tenta ser maior do que é. É provavelmente o ponto mais forte do texto.

A última estrofe tenta fechar com esperança, mas perde-se na construção. “Por isto preciso dos seus abraços fortes” funciona, mas “E do seu carinho e amor que um dia se perdeu” é uma frase que carrega demasiado peso sem o trabalhar. O fecho — “Mas que juntos podemos resgatá-lo com amor / Fazendo de nós o casal mais feliz deste mundo” — tenta ser grandioso, mas acaba por soar a promessa genérica, sem a singularidade que o poema vinha a procurar. É um final que quer ser épico, mas chega como fórmula.

No conjunto, o poema tem sinceridade e tem momentos de verdade, mas sofre de excesso de explicação, de imagens demasiado abstratas e de construções que não se afinam com a emoção que tentam transmitir. Quando o texto se aproxima da experiência concreta, ganha força; quando tenta elevar-se ao absoluto, perde nitidez. Há matéria emocional, mas falta lapidação para que essa matéria se transforme em poesia sólida.

Criado em: Hoje 21:08:43
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