261. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Pedro Alves. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Pedro Alves.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Crianças passeavam Outras brincavam. Seus pais acompanhando Miolo de pão traziam E aos pombos alimentavam. Hoje, ambiente triste aqui vivo. Já não sinto o cheiro daquela roseira Nem a frescura daquela sombra. Já não sei o que é Primavera ou Verão Folhas não vejo Sol também não. Observo em meu redor. Vejo patrimónios Mares de gente Espírito consumista Concorrência, Correria... Agora as crianças choram Muito pão tinham para dar Mas naquele jardim Já ninguém as vai levar Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=10229 © Luso-Poemas O poema constrói um arco claro entre a memória e a perda, e é justamente nessa oscilação que reside a sua força. A abertura tem a simplicidade que convém à infância: crianças que passeiam, outras que brincam, pais que alimentam pombos com miolo de pão. Há uma serenidade quase pictórica, como se o eu lírico estivesse a recuperar uma cena guardada intacta, com cheiro, cor e movimento. Essa secção inicial funciona porque não tenta embelezar nada; apresenta o quotidiano tal como era, e é essa naturalidade que lhe dá peso emocional. A viragem para o presente é abrupta, e isso serve o poema. O ambiente torna‑se triste, a roseira perde o cheiro, a sombra perde a frescura, as estações deixam de existir como experiência sensorial. A enumeração de ausências cria um vazio progressivo, quase como se o espaço físico estivesse a ser apagado diante do sujeito. A escolha de frases curtas reforça essa sensação de despojamento: cada linha parece retirar algo, nunca acrescentar. Quando o poema se desloca para a observação do mundo atual, surge um contraste eficaz. “Patrimónios”, “mares de gente”, “espírito consumista”, “concorrência, correria” — são palavras que carregam peso social, mas também uma certa frieza. A mudança de léxico marca bem a distância entre o jardim comunitário e o presente urbano, mais saturado e menos humano. Ainda assim, esta secção poderia beneficiar de uma imagem concreta que ancore o desencanto, para evitar que o abstrato domine demasiado. O fecho é o ponto mais forte. As crianças, que antes passeavam e brincavam, agora choram. Têm pão para dar, mas já não têm jardim onde o gesto faça sentido. A imagem é simples, mas devastadora: não é apenas a perda de um espaço físico, é a perda de uma prática de convivência, de um ritual de cuidado. O poema termina num lugar de desolação que não procura consolo, e isso lhe dá honestidade. Em conjunto, o texto funciona como uma pequena elegia ao espaço público desaparecido. A memória é luminosa, o presente é árido, e o contraste é suficientemente nítido para sustentar o efeito. Com um ou dois ajustes de densidade imagética na parte central, o poema ganharia ainda mais corpo, mas já assim apresenta uma coerência emocional sólida e um fecho que permanece.
Criado em: Hoje 22:07:03
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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