290. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - CREUSMAR.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de CREUSMAR.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

ANJO DEFICIENTE?
Aquela mãe, aquele pai, aquela avó, aquele avô ansiosamente aguardam o feliz dia do nascimento da criança que certamente virá encher de alegria os dias futuros da família.
Chega esse dia e, com grande surpresa, todos vêem que a pequena criança não é perfeitamente normal. A cada nova observação constata-se uma nova deficiência , talvez por motivos genéticos, talvez por acidente no momento do nascimento, no novo ser que chega ao início de sua vida
A causa não é muito importante e sim as conseqüências que advirão certamente. É o início de uma grande luta que modificará a vida de muita gente, principalmente daqueles que mais junto estarão do novo pequeno ser.
A primeira dificuldade a vencer pelos parentes mais próximos será dominar a rejeição. É óbvio que não se trata de um objeto que se acaba de comprar e se verifica que está com defeito. Aqui é o amor que já estabelecia seus laços entre eles e o neném, antes mesmo do momento do parto e que agora aumenta e se fortalece pela presença. O amor, com seu extraordinário poder, anula a rejeição por completo.
As necessidades especiais da nova criança demandarão um imediato, constante, permanente e difícil aprendizado por parte de todos que dela cuidarão.<br /> Será um curso prático inevitável, além do aprendizado técnico que será indicado pelos especialistas das diversas áreas envolvidas.
Nova dificuldade a vencer será a vergonha ( injustificável ) que os familiares venham a sentir diante de seus pares, com crianças perfeitamente normais, nas atividades do dia a dia.
Fisicamente, também terá de haver desenvolvimentos, para suprir as deficiências daquela criança no transporte e em todas as suas necessidades diárias. Essas pessoas que lidam com os deficientes têm de se tornar portanto, fisicamente, intelectualmente, moralmente, e psicologicamente superiores ao padrão humano vulgar, e muito acima daquilo que eram antes das novas atividades assim impostas. Sem muito exagero podemos dizer que serão aprendizes de atletas, técnicos e monges. É muito comum se ver, em frente à ABBR, uma pessoa descer de um ônibus, portando ao colo um deficiente de peso quase igual ao seu próprio peso. Um pai ou uma mãe de nível de instrução primário conversar falando em terapia hiperbárica.
Sofrerão muito, sem dúvida, mas não esmorecerão, porque estarão sempre direcionadas a objetivos bem definidos, e sempre sentirão que seu sofrimento não é maior que o da pessoa assistida. Esta tem de lutar sem ter as armas adequadas, sentindo sempre, publicamente, a deficiência que o destino lhe impôs, não sendo capaz de fazer o que deseja e vê os outros fazerem.
Isto não é uma batalha, mas uma guerra em que há muitas batalhas a vencer. Uma a uma, essas batalhas vão sendo travadas. Umas são vencidas outras não. Pequenas alegrias grandes decepções.
Ao longo do tempo, com auxílio de profissionais capazes e dedicados, a evolução geralmente vai sendo alcançada tornando o deficiente menos deficiente. Em geral, a custa de grande empenho e muito sacrifício, pequenas metas (que para eles são muito grandes), são alcançadas.
Um dia contudo, geralmente já na adolescência, muitas vezes termina a vida sofrida dessas crianças, que como anjos, partem para a eternidade, diante dos olhos tristes de seus responsáveis. Ela se foi...
A sensação é de que tudo foi em vão. Tanto esforço, tanto sacrifício, para no fim nada restar. Quanta coisa aquela pobre criança teve de aprender a custa de muito sofrimento. Quanto nós lhe ensinamos ao longo de trabalhosos anos em que dela cuidamos.
... Mas será que nós fomos mesmo os professores e elas os alunos?
Pensemos no que nós éramos ao início de tudo e no que chegamos a ser. Pensemos em quanto aprendemos ao longo desses anos, em variados campos da evolução humana...
...Não: nós não fomos mestres e sim alunos aplicados. Esses anjos, com seu sacrifício, com seu sofrimento, muito fizeram por nós. Eles nos ensinaram muito e nos transformaram para muito melhor, sacrificando-se muito para atingir esse objetivo.
Deus lhes recompense o sacrifício produtivo.
Será que devemos mesmo chamá-los de Anjos deficientes?
Certamente será muito mais correto chamá-los ANJOS EFICIENTES.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=11629 © Luso-Poemas

O texto parte de uma intenção clara: construir uma narrativa edificante sobre a deficiência, transformando-a num percurso moral e espiritual. Essa intenção, porém, condiciona fortemente a peça, que se aproxima mais de um discurso moralizante do que de uma construção literária. A estrutura é linear, quase catequética, e isso reduz a tensão narrativa: não há conflito interno, não há ambiguidade, não há hesitação — há apenas uma progressão argumentativa que pretende conduzir o leitor a uma conclusão previamente decidida (“ANJOS EFICIENTES”). A previsibilidade do arco enfraquece a força estética do texto.

A abertura — “Aquela mãe, aquele pai, aquela avó, aquele avô ansiosamente aguardam…” — utiliza uma enumeração que pretende universalizar a situação, mas a repetição de “aquele/ aquela” cria uma cadência pesada e pouco natural. A frase seguinte, “todos vêem que a pequena criança não é perfeitamente normal”, introduz o conflito, mas fá-lo com uma linguagem datada (“perfeitamente normal”, “deficiência”, “novo ser”), que não é apenas problemática do ponto de vista ético: é literariamente pobre, porque se apoia em categorias rígidas e não em imagens ou nuances. A prosa torna-se explicativa, quase pedagógica, e perde densidade estética.

O texto insiste em dicotomias simplificadoras: rejeição vs. amor, vergonha vs. superação, sofrimento vs. recompensa. Estas oposições são tratadas como inevitáveis e universais, sem espaço para complexidade emocional. A frase “O amor, com seu extraordinário poder, anula a rejeição por completo” é um exemplo claro: além de ser uma generalização absoluta, retira ao texto qualquer possibilidade de explorar a ambivalência real das relações humanas. A literatura ganha força quando admite fissuras; aqui, as fissuras são fechadas antes de se abrirem.

Há também um problema de registo: o texto oscila entre o descritivo, o moral, o religioso e o técnico, sem integração plena. “terapia hiperbárica” surge no meio de uma reflexão espiritual, criando um choque de registos que não é produtivo — não há ironia, não há contraste deliberado, apenas uma justaposição que soa acidental. O mesmo sucede com “atletas, técnicos e monges”: a enumeração tenta elevar o papel dos cuidadores, mas a metáfora é demasiado explícita e não se sustenta poeticamente.

A construção frásica é frequentemente redundante: “constante, permanente e difícil aprendizado”, “pequenas alegrias grandes decepções”, “grande empenho e muito sacrifício”. A acumulação de adjetivos não acrescenta profundidade; apenas reforça um tom declamatório. A repetição de “sofrimento”, “sacrifício”, “deficiente”, “guerra”, “batalhas” cria uma retórica de martírio que, além de previsível, empobrece a dimensão humana que o texto tenta valorizar.

O momento mais frágil é a viragem final: “Mas será que nós fomos mesmo os professores e elas os alunos?” A pergunta retórica prepara a conclusão, mas a conclusão é demasiado programática. A ideia de que as crianças “se sacrificam para nos ensinar” é apresentada como revelação, mas já estava implícita desde o início; não há surpresa, não há deslocamento semântico, não há transformação da voz narrativa. A última frase — “Certamente será muito mais correto chamá-los ANJOS EFICIENTES” — fecha o texto com uma moral explícita, anulando qualquer ambiguidade que pudesse ter sido construída.

Em termos literários, o texto carece de imagética, de concretude, de voz própria. A linguagem é genérica, formulaica, marcada por lugares-comuns (“anjo”, “sacrifício”, “guerra”, “batalhas”, “sofrimento”). Não há cenas, não há gestos, não há detalhes sensoriais que permitam ao leitor entrar na experiência. Tudo é dito, nada é mostrado. A peça funciona como um editorial ou homilia, não como criação literária.

Em suma: o texto tem intenção emocional e ética, mas falta-lhe densidade estética, precisão lexical, complexidade narrativa e contenção retórica. A moral explícita substitui a literatura; a generalização substitui a experiência; a exortação substitui a ambiguidade. O resultado é uma peça mais doutrinária do que literária.

Criado em: Hoje 19:29:02
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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