378. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - ALFREDO ROSSETTI.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de ALFREDO ROSSETTI
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Eu posso querer coisas...
E eu quero.
Eu posso querer conhecer lugares...
E eu quero.
Eu posso ser diferente de você...
E eu sou.
Mas não há nada, nem ninguêm, que eu queira mais do que você...
E eu quero.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=16894 © Luso-Poemas

O poema constrói-se sobre uma estrutura repetitiva que reforça a intensidade emocional do eu lírico, sustentada por anáforas que funcionam como pilares rítmicos: “Eu posso querer…”, “E eu quero.”, “Eu posso ser…”, “E eu sou.”. Esta repetição cria uma cadência quase declarativa, aproximando o texto de uma pequena confissão amorosa, direta e sem ornamentação. A simplicidade sintática é deliberada, e a ausência de imagens complexas ou metáforas elaboradas coloca o foco exclusivamente na afirmação do desejo e da escolha afetiva.

A ortografia apresenta um deslize evidente em “ninguêm”, que deveria ser “ninguém”, e a construção “ser diferente de você” revela influência de registo brasileiro, o que não compromete a inteligibilidade mas cria uma ligeira dissonância dentro de um contexto lusófono. A repetição de “E eu quero.” como refrão final de cada bloco reforça a ideia de insistência emocional, quase obsessiva, mas também de clareza: o eu lírico afirma que pode desejar muitas coisas, mas escolhe uma só, o “tu”.

A estrutura é minimalista, composta por frases curtas e paralelas que funcionam como enumeração de possibilidades existenciais — querer coisas, querer conhecer lugares, ser diferente — todas elas anuladas ou subordinadas ao desejo maior: “não há nada, nem ninguém, que eu queira mais do que você”. Esta frase é o núcleo semântico do poema, onde a simplicidade se converte em intensidade. A ausência de imagens poéticas mais elaboradas aproxima o texto de um estilo lírico-afetivo popular, que privilegia a comunicação direta do sentimento sobre a construção estética.

A força do poema reside precisamente na economia verbal: o eu lírico não procura adornar o discurso, mas afirmar uma escolha emocional absoluta. A fragilidade está na previsibilidade das estruturas e na ausência de desenvolvimento imagético ou simbólico, o que limita a profundidade literária. Ainda assim, o conjunto mantém coerência interna e cumpre o propósito expressivo de declarar, com insistência e clareza, a centralidade do outro na vida do sujeito.

Criado em: Hoje 7:39:00
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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