391. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - JoanaBeneditaPaes..
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de JoanaBeneditaPaes.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Já vai longe a tempestade
Mas assombras com rancor
A minha felicidade
Em sinal de lealdade
Não te falo mais de amor

Já vai longe o meu desgosto
Acaba com desengano
Pois sorrir não paga imposto
Sei que não sou ao teu gosto
E não te vou causar dano

Se nem sempre o amor arde
Se foi longe não comento
O amanhã fez-se tarde
Já ninguém faz nisso alarde
Estás no meu pensamento

Se me escutas volta e meia
Fazes ares de amuado
E dizes palavra feia
Prometes mesmo cadeia
Temos o caldo entornado

Se o meu fado é fatalismo
Então tudo tem um fim
Onde está o meu egoísmo
Nesta vida de heroísmo
Ai, o que será de mim

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=17553 © Luso-Poemas

O poema organiza-se em quintilhas rimadas que seguem um padrão regular, aproximando-se claramente da tradição da redondilha e da poesia popular portuguesa, com forte influência do tom satírico-amargo das quadras de crítica sentimental. A estrutura é estável, com rimas bem marcadas e cadência fluida, sustentando um discurso que oscila entre o desencanto amoroso, a ironia e a resignação. A ortografia é, no geral, correta, com exceção de “assombras”, que deveria ser “assombras” apenas se usado como forma arcaica de “assombras”; no contexto, “assombras” funciona como verbo, mas a forma padrão seria “assombras” no sentido de “assombras-me”, o que não está plenamente claro. Ainda assim, não compromete a leitura.

A primeira estrofe — “Já vai longe a tempestade / Mas assombras com rancor / A minha felicidade / Em sinal de lealdade / Não te falo mais de amor” — estabelece o tom central: a tempestade passou, mas o rancor permanece. A oposição entre calmaria exterior e tormenta interior é eficaz. A expressão “em sinal de lealdade” introduz ironia, sugerindo que o rancor é constante e previsível. O fecho, “Não te falo mais de amor”, funciona como declaração de ruptura, embora marcada por evidente ambiguidade emocional.

A segunda estrofe — “Já vai longe o meu desgosto / Acaba com desengano / Pois sorrir não paga imposto / Sei que não sou ao teu gosto / E não te vou causar dano” — desloca o poema para um registo mais racional. A frase “sorrir não paga imposto” aproxima o texto de um tom proverbial, reforçando a oralidade. A admissão “sei que não sou ao teu gosto” é direta e eficaz, revelando consciência da incompatibilidade afetiva. A promessa de não causar dano reforça a resignação, aproximando o eu lírico de uma postura de afastamento pacífico.

A terceira estrofe — “Se nem sempre o amor arde / Se foi longe não comento / O amanhã fez-se tarde / Já ninguém faz nisso alarde / Estás no meu pensamento” — articula uma reflexão sobre o desgaste do amor. A frase “o amanhã fez-se tarde” é particularmente forte, sugerindo que a oportunidade passou e que o tempo já não oferece possibilidades. O fecho, porém, contradiz a intenção de afastamento: “Estás no meu pensamento” revela persistência emocional, criando tensão entre razão e sentimento.

A quarta estrofe — “Se me escutas volta e meia / Fazes ares de amuado / E dizes palavra feia / Prometes mesmo cadeia / Temos o caldo entornado” — introduz um tom mais humorístico e coloquial. A expressão “caldo entornado” é típica da oralidade portuguesa e reforça a dimensão popular do poema. A referência à “cadeia” é hiperbólica, funcionando como exagero que intensifica o conflito. A estrofe mantém coerência com o tom satírico-amargo que atravessa o texto.

A quinta estrofe — “Se o meu fado é fatalismo / Então tudo tem um fim / Onde está o meu egoísmo / Nesta vida de heroísmo / Ai, o que será de mim” — encerra o poema com uma nota de introspeção. A referência ao “fado” e ao “fatalismo” inscreve o texto na tradição portuguesa de resignação melancólica. A pergunta “Onde está o meu egoísmo” sugere que o eu lírico se vê como alguém que dá mais do que recebe, reforçando a ideia de heroísmo quotidiano. O fecho, “Ai, o que será de mim”, retoma o tom lamentoso, encerrando o poema com uma nota de vulnerabilidade.

O texto inscreve-se num estilo lírico-popular tradicional, com forte influência da poesia de redondilha maior, marcada por rimas regulares, oralidade, ironia e melancolia. A força do poema reside na cadência fluida, na construção de imagens simples mas eficazes e na tensão entre resignação e persistência afetiva. A fragilidade está na ocasional previsibilidade das expressões e na repetição de fórmulas tradicionais, mas o conjunto mantém coerência interna e expressa de forma clara o desencanto amoroso temperado por humor e fatalismo.

Criado em: Hoje 21:05:46
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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