392. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - JÚLIO BRITO.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de JÚLIO BRITO.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

TIO QUERIDO ERAS TÃO BOM
ERAS UM HOMEM TÃO FELIZ
GUARDO-TE EM MEU CORAÇÃO
MEU QUERIDO TIO LUIS

TEUS IRMÃOS TE AMAVAM
ERAS UM MANO VERDADEIRO
O MAIS NOVO DELES TODOS
O QUE PARTIU EM PRIMEIRO

ERAS BOM DEIXAS-TE SAUDADE
NA FLOR DA VIDA DEUS TE LEVOU
FOI NA MALDITA PASSACAVE
QUE AQUELA MÁQUINA TE MATOU

ANDAVAS TÃO CONTENTE
COM FELICIDADE DE TERES SIDO PAI
FOS-TE EMBORA TÃO DERREPENTE
À 10 ANOS QUE ISSO VAI

TEU FILHO NÃO VISTE CRESCER
TEU CARINHO POUCO LHE DES-TE
MAS TIO FICO CONTENTE
POIS CONTIGO SE PARECE

ERAS BOM DEIXAS-TE SAUDADE
NA FLOR DA VIDA DEUS TE LEVOU
FOI NA MALDITA PASSACAVE
QUE AQUELA MÁQUINA TE MATOU

EM TEUS AMIGOS FICOU A SAUDADE
DESSE HOMEM QUE ERA TÃO BOM
TIO ESCUTA É VERDADE
FICAS-TE-LHES NO CORAÇÃO

TEUS SOBRINHOS TE CHAMAVAM
E COM ELES TU BRINCAVAS
JAMAIS IRÃO ESQUECER
A MANEIRA COMO OS MIMAVAS

ERAS BOM DEIXAS-TE SAUDADE
NA FLOR DA VIDA DEUS TE LEVOU
FOI NA MALDITA PASSACAVE
QUE AQUELA MÁQUINA TE MATOU

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=17561 © Luso-Poemas

O poema apresenta-se como elegia popular, estruturado em quadras rimadas e repetidas, aproximando-se claramente da tradição oral portuguesa, com forte influência da cantiga de saudade e da lamentação fúnebre. A repetição das estrofes — “ERAS BOM DEIXAS-TE SAUDADE / NA FLOR DA VIDA DEUS TE LEVOU / FOI NA MALDITA PASSACAVE / QUE AQUELA MÁQUINA TE MATOU” — funciona como refrão, reforçando o caráter de homenagem e de dor reiterada. A ortografia contém vários deslizes: “eras” deveria ser “eras” mas sem maiúsculas, “GUARDO-TE” está correto, “PASSACAVE” é provavelmente “passa-cave” ou nome local, “DERREPENTE” deveria ser “de repente”, “À 10 ANOS” deveria ser “Há 10 anos”, “DES-TE” deveria ser “deste”, “FICAS-TE-LHES” deveria ser “ficaste-lhes”. A presença sistemática de maiúsculas confere tom de proclamação, mas reduz a fluidez visual.

A primeira estrofe — “TIO QUERIDO ERAS TÃO BOM / ERAS UM HOMEM TÃO FELIZ / GUARDO-TE EM MEU CORAÇÃO / MEU QUERIDO TIO LUIS” — estabelece o tom elegíaco. A repetição de “tio querido” e “querido tio” reforça a intimidade e a dor. A simplicidade sintática aproxima o texto de um registo popular, onde a emoção prevalece sobre a elaboração formal.

A segunda estrofe — “TEUS IRMÃOS TE AMAVAM / ERAS UM MANO VERDADEIRO / O MAIS NOVO DELES TODOS / O QUE PARTIU EM PRIMEIRO” — articula a dimensão familiar da perda. A expressão “mano verdadeiro” reforça a ideia de lealdade e proximidade. O contraste entre ser o mais novo e partir primeiro intensifica o caráter trágico da morte. A cadência é regular, sustentada por rimas simples.

A terceira estrofe — “ERAS BOM DEIXAS-TE SAUDADE / NA FLOR DA VIDA DEUS TE LEVOU / FOI NA MALDITA PASSACAVE / QUE AQUELA MÁQUINA TE MATOU” — funciona como refrão. A expressão “na flor da vida” é tradicional, mas eficaz dentro do registo elegíaco. A referência à máquina que o matou introduz elemento de brutalidade concreta, contrastando com o tom sentimental das restantes estrofes. A palavra “maldita” reforça a indignação.

A quarta estrofe — “ANDAVAS TÃO CONTENTE / COM FELICIDADE DE TERES SIDO PAI / FOS-TE EMBORA TÃO DERREPENTE / À 10 ANOS QUE ISSO VAI” — desloca o poema para a dimensão temporal. A alegria de ter sido pai contrasta com a morte súbita. O deslize “À 10 anos” compromete a correção formal, mas a intenção é clara: o tempo passou, mas a dor permanece. A rima “contente / derrepente” é funcional, embora marcada por erro ortográfico.

A quinta estrofe — “TEU FILHO NÃO VISTE CRESCER / TEU CARINHO POUCO LHE DES-TE / MAS TIO FICO CONTENTE / POIS CONTIGO SE PARECE” — introduz nota de consolo. A ausência do pai é compensada pela semelhança física ou comportamental do filho. A construção “pouco lhe deste” revela irregularidade gráfica, mas mantém sentido. A estrofe reforça a dimensão familiar e afetiva.

O refrão retorna, reforçando o caráter de cantiga.

A estrofe seguinte — “EM TEUS AMIGOS FICOU A SAUDADE / DESSE HOMEM QUE ERA TÃO BOM / TIO ESCUTA É VERDADE / FICAS-TE-LHES NO CORAÇÃO” — amplia o círculo da perda. A saudade não é apenas familiar, mas comunitária. A expressão “ficaste-lhes no coração” é simples, mas eficaz dentro do registo popular.

A última estrofe — “TEUS SOBRINHOS TE CHAMAVAM / E COM ELES TU BRINCAVAS / JAMAIS IRÃO ESQUECER / A MANEIRA COMO OS MIMAVAS” — encerra o poema com nota de ternura. A memória dos gestos quotidianos — brincar, mimar — reforça a dimensão humana da homenagem. A rima é regular, e a cadência mantém coerência com o restante texto.

O poema inscreve-se num estilo lírico-popular elegíaco, marcado por repetição, oralidade, rimas simples, forte carga emocional e estrutura de refrão. A força do texto reside na sinceridade afetiva e na construção de uma homenagem comunitária. A fragilidade está nos numerosos deslizes ortográficos, na repetição excessiva e na ausência de maior elaboração simbólica. Ainda assim, o conjunto mantém coerência interna e expressa de forma clara a dor, a saudade e a necessidade de preservar a memória do ausente.

Criado em: Hoje 21:08:53
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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