449. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Islo-Nantes. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Islo-Nantes. Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.
La vem o trem Atravessando as pontes Cortando os montes Rumo a cidade La vem o trem Trazendo uma vil estória Uns chegando agora E os outros mais tarde Trem dos desesperados E dos infelizes Trem dos mal educados E das meretrizes Trem dos advogados Das secretarias e juizes Dos policiais perfumados Mas cheirando suborno pros narizes La vem o trem Trazendo os egoístas Falsos ricos e narcisistas E os mesmos corruptos La vem o trem Trazendo os presidentes Deputados e assistentes Os mansos e os brutos Trem trazendo malas E o grande empreteiro Que se esconde nas salas E desembolsa o dinheiro Trem da grande festança Da riqueza ilícita Onde morre sempre a esperança E tudo acaba em pizza Trem da grandes decepções E das corrupções Que destroem o Brasil E o povo sempre calado Votando sempre errado Votando em Clodovil E ai o povo vai para a puta que pariu Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=19594 © Luso-Poemas O poema organiza-se como sátira social de forte cadência repetitiva, estruturada em blocos que se iniciam com a anáfora “Lá vem o trem”, recurso que funciona como eixo rítmico e como metáfora de fluxo contínuo de personagens, vícios e estruturas de poder. A ortografia é, no geral, correta, embora haja pequenas questões: “La” deveria ser “Lá”, com acento, para manter coerência; “empreteiro” parece ser erro por “empreiteiro”; “juizes” deveria ser “juízes”; “dái” deveria ser “daí”. A sintaxe é simples e direta, com predominância de enumerações e paralelismos que reforçam o caráter de denúncia. A pontuação é mínima, mas suficiente para organizar o discurso. A abertura — “La vem o trem / Atravessando as pontes / Cortando os montes / Rumo a cidade” — estabelece o movimento contínuo que estrutura o poema. A construção é clara, com imagens geográficas simples que funcionam como cenário para a entrada das figuras sociais. A repetição imediata de “La vem o trem” cria efeito de retorno, preparando o leitor para a sequência de personagens que compõem a crítica. O segundo bloco — “Trazendo uma vil estória / Uns chegando agora / E os outros mais tarde” — introduz a ideia de narrativa coletiva, marcada por desigualdade temporal. A expressão “vil estória” é eficaz, embora “estória” seja grafia menos comum na norma contemporânea. A construção mantém ritmo regular, com rimas internas suaves. A secção seguinte — “Trem dos desesperados / E dos infelizes / Trem dos mal educados / E das meretrizes / Trem dos advogados / Das secretarias e juizes / Dos policiais perfumados / Mas cheirando suborno pros narizes” — apresenta maior densidade crítica. A enumeração de grupos sociais, sem hierarquia, cria efeito de mistura caótica. A rima entre “juizes” e “narizes” funciona, apesar da grafia incorreta do primeiro termo. A frase “policiais perfumados / Mas cheirando suborno” é particularmente eficaz pela ironia direta. O bloco seguinte — “Trazendo os egoístas / Falsos ricos e narcisistas / E os mesmos corruptos” — mantém o tom satírico. A construção é clara, com rimas simples. A repetição de “os mesmos corruptos” reforça a ideia de continuidade da degradação moral. A enumeração de “presidentes / Deputados e assistentes / Os mansos e os brutos” amplia o alcance da crítica, incluindo figuras de poder e cidadãos comuns. A estrofe — “Trem trazendo malas / E o grande empreteiro / Que se esconde nas salas / E desembolsa o dinheiro” — apresenta crítica direta à corrupção empresarial. A grafia “empreteiro” parece erro, mas o sentido mantém-se. A construção é sintaticamente correta, com rima regular. O bloco seguinte — “Da riqueza ilícita / Onde morre sempre a esperança / E tudo acaba em pizza” — utiliza expressão idiomática conhecida, reforçando o caráter popular da crítica. O fecho — “Trem da grandes decepções / E das corrupções / Que destroem o Brasil / E o povo sempre calado / Votando sempre errado / Votando em Clodovil / E ai o povo vai para a puta que pariu” — encerra o poema com tom abertamente agressivo. A construção “Trem da grandes decepções” apresenta incorreção (“da” deveria ser “das”). A enumeração de “decepções” e “corrupções” mantém coerência temática. A referência a voto e figuras públicas exige cuidado interpretativo: o poema critica escolhas eleitorais, mas sem apresentar análise política estruturada. O verso final utiliza expressão vulgar que, embora coerente com o tom satírico, intensifica a agressividade do fecho. O texto inscreve-se num estilo satírico‑popular contemporâneo, marcado pela repetição anafórica, pela enumeração de grupos sociais e pela crítica direta à corrupção e à desigualdade. A força do poema reside na cadência repetitiva e na ironia explícita, que transformam o trem em metáfora de fluxo social degradado. As fragilidades surgem em algumas incorreções ortográficas, na ocasional dispersão temática e no uso de expressões que, embora estilísticas, podem parecer excessivamente abruptas. Ainda assim, o conjunto mantém unidade formal e apresenta voz crítica consistente.
Criado em: Hoje 21:19:30
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