452. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - ferpereira.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de ferpereira. Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Admiro os escultores que talham a pedra ou o mármore,
Fazem uma figura humana de um pedaço de pau.
Admiro os músicos que tocam com cordas ou tamborins,
Tiram doces sons de flautas, com dedos tocam pianos.
Admiro os pintores que fazem traços, misturam tintas
E de uma tela branca fazem nascer belas imagens.
Salvem os poetas, e salvem os músicos e os cantores.
Salvem os escultores, os arquitectos e todos os artistas.
Por que deles será o plano divino.
Os artistas são como antenas a captar os sentimentos da humanidade.
Eles captam o que está no ar e o materializam.
Há artistas que vivem a sua arte com mais intensidade que a sua expressão.
Um Artista precisa de ser independente, livre de qualquer entidade ou parte
Para defender, proteger, ajudar, lutar e batalhar, tudo e qualquer injustiça.
Não podem viver numa redoma, têm que denunciar a falta de vergonha e pudor.
Ser sempre contra o cinismo e a arrogância.
Os Artistas são os representantes de seres.
Têm nos seus destinos a magia de representar, até mesmo seres que não mais existem.
Dão vida, incorporam, actuam e vivem, de estar em todos os momentos especiais,
De tudo e qualquer maldade humana, assim seria se fosse.
O caminho de um verdadeiro artista é longo e sem fim.
O artista cresce, evolui, e se forma nos palcos.
Nenhum documento aumenta ou diminui o talento deste ser.
Existem artistas que já nasceram para brilhar...
Só precisam se aperfeiçoar, outros vão-se descobrindo,
Com o tempo... há talentos para serem descobertos...
Por vários motivos, ainda não tiveram sua oportunidade
Porém, seguem o mesmo destino de ser, para sempre
um seguidor sem fim, da arte de representar, desenhar, pintar, dançar, cantar.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=19695 © Luso-Poemas

O poema apresenta-se como reflexão ensaística em verso livre, articulada em blocos temáticos que descrevem diferentes artes e, gradualmente, constroem uma visão idealizada do papel do artista na sociedade. A estrutura é contínua, sem divisão formal em estrofes, mas com pausas naturais que acompanham a mudança de foco. A ortografia é, no geral, correta, embora haja alguns pontos a notar: “arquitectos” segue a grafia portuguesa pré-AO, coerente se mantida ao longo do texto; “actuam” também segue essa norma; “se aperfeiçoar” poderia ser “aperfeiçoarem-se” para maior precisão sintática; “Por que deles será o plano divino” apresenta construção ambígua, que poderia beneficiar de vírgula após “que”. A sintaxe é clara, com predominância de frases coordenadas e enumerações que reforçam o caráter discursivo.

A abertura — “Admiro os escultores que talham a pedra ou o mármore, / Fazem uma figura humana de um pedaço de pau.” — estabelece o tom laudatório. A construção é simples e direta, com imagens concretas que descrevem o processo artístico. A enumeração de materiais (“pedra”, “mármore”, “pau”) cria contraste entre o nobre e o simples, reforçando a ideia de transformação. A secção seguinte — “Admiro os músicos que tocam com cordas ou tamborins, / Tiram doces sons de flautas, com dedos tocam pianos.” — mantém o paralelismo, com ritmo suave e imagens auditivas bem articuladas. A repetição de “Admiro” funciona como eixo anafórico.

O bloco dedicado aos pintores — “Admiro os pintores que fazem traços, misturam tintas / E de uma tela branca fazem nascer belas imagens.” — apresenta cadência fluida. A construção é sintaticamente correta, com enumeração que reforça o processo criativo. A frase “fazem nascer belas imagens” é eficaz, embora de tom ligeiramente convencional. A transição para o elogio coletivo — “Salvem os poetas, e salvem os músicos e os cantores. / Salvem os escultores, os arquitectos e todos os artistas.” — introduz dimensão quase litúrgica. A repetição de “Salvem” cria ritmo de invocação, aproximando o texto de um manifesto.

A secção — “Por que deles será o plano divino. / Os artistas são como antenas a captar os sentimentos da humanidade.” — desloca o poema para reflexão metafísica. A metáfora das “antenas” é clara e eficaz, sugerindo sensibilidade ampliada. A frase “Eles captam o que está no ar e o materializam” reforça a ideia de mediação entre o abstrato e o concreto. A construção é simples, mas coerente com o tom ensaístico.

O bloco seguinte — “Há artistas que vivem a sua arte com mais intensidade que a sua expressão. / Um Artista precisa de ser independente, livre de qualquer entidade ou parte / Para defender, proteger, ajudar, lutar e batalhar, tudo e qualquer injustiça.” — apresenta maior densidade conceptual. A frase inicial é sintaticamente correta, embora ambígua: “viver a arte com mais intensidade que a sua expressão” sugere descompasso entre interior e exterior. A enumeração de verbos (“defender, proteger, ajudar, lutar e batalhar”) cria cadência forte, aproximando o texto de um discurso moral.

A secção — “Não podem viver numa redoma, têm que denunciar a falta de vergonha e pudor. / Ser sempre contra o cinismo e a arrogância.” — reforça o caráter ético. A construção é clara, com imperativos implícitos que definem o papel social do artista. A frase seguinte — “Os Artistas são os representantes de seres. / Têm nos seus destinos a magia de representar, até mesmo seres que não mais existem.” — introduz dimensão quase mítica. A construção é correta, embora marcada por ligeira abstração.

O bloco final — “O caminho de um verdadeiro artista é longo e sem fim. / O artista cresce, evolui, e se forma nos palcos. / Nenhum documento aumenta ou diminui o talento deste ser.” — apresenta reflexão sobre formação artística. A construção é clara, com paralelismo eficaz. A secção — “Existem artistas que já nasceram para brilhar... / Só precisam se aperfeiçoar, outros vão-se descobrindo, / Com o tempo... há talentos para serem descobertos...” — utiliza reticências para marcar continuidade e abertura. A frase final — “Por vários motivos, ainda não tiveram sua oportunidade / Porém, seguem o mesmo destino de ser, para sempre / um seguidor sem fim, da arte de representar, desenhar, pintar, dançar, cantar.” — encerra o poema com enumeração que reforça a amplitude das artes. A construção é sintaticamente correta, embora longa, e mantém coerência temática.

O texto inscreve-se num estilo lírico‑ensaístico, marcado pela fusão entre reflexão, elogio e manifesto, com forte dimensão ética e metafísica. A força do poema reside na cadência discursiva e na capacidade de articular diferentes artes sob uma visão unificadora. As fragilidades surgem na ocasional generalização excessiva e em pequenas ambiguidades sintáticas, mas não comprometem a unidade formal. O conjunto apresenta voz reflexiva, que transforma a figura do artista em símbolo de sensibilidade e responsabilidade social.

Criado em: Hoje 21:37:41
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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