459. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Hilton Marcos.
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Hilton Marcos. Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Descobri tardiamente, você não me deixou, sofri por falta da percepção clara, dos que simbioticamente, comungam pensamentos. Mas ainda assim...
Nada reconheço.
Nas ruas, vielas, lindas moradias, árvores frondosas meneiam frescor aos raios de sol. Olho tudo a minha volta e, nada reconheço, não sou deste lugar! Agora, em outro Estado, tudo igual, lindas casas, prédios de arquitetura quase mágica, perfume nos braços da brisa, como se, dirigido à mim. Tudo bonito, imagens lindas, mas...
De onde sou? Porque reencarnei neste planeta? Quando volto? E, olhando no infinito, encontro respostas: Não te deixamos! Estamos aqui, eu e tuas filhas Servula e Anasta. Cumpra o prometido, faça como determinastes, na escala da vida terrena, erros vem e vão seguidamente, o motivo, Auth"or, é facilidade que te foi propiciada. Saiba utilizá-la. Te esperamos, venha quando tudo acabar.
Te amamos. Na medida certa, pois assim, te deixamos partir, tudo isso em benefício de todos nós.
Te amamos, não te esqueças da medida.
Tua família.

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O poema apresenta-se como reflexão existencial em tom confessional, articulada em períodos longos que alternam entre perceção sensorial, deslocação geográfica e uma dimensão espiritual que se manifesta na voz final dirigida ao sujeito. A construção sintática é marcada por frases extensas, com enumerações e pausas que acompanham o fluxo emocional. A ortografia é, no geral, correta, embora haja pontos a notar: “a minha volta” deveria ser “à minha volta”; “dirigido à mim” não segue a norma — o correto seria “dirigido a mim”; “vem e vão seguidamente” apresenta redundância; “irá” surge corretamente acentuado em outros contextos, mas aqui não aparece; “Auth"or” é grafia incomum, possivelmente intencional, mas cria dissonância dentro do registo. A pontuação, embora expressiva, poderia ser mais contida em alguns trechos para maior precisão.

A abertura — “Descobri tardiamente, você não me deixou, sofri por falta da percepção clara, dos que simbioticamente, comungam pensamentos.” — estabelece o tom introspectivo. A construção é longa, com pausas que marcam hesitação e reconhecimento tardio. A expressão “dos que simbioticamente, comungam pensamentos” é sintaticamente correta, embora marcada por ligeira densidade conceptual. O verso seguinte — “Mas ainda assim... / Nada reconheço.” — introduz ruptura, com reticências que reforçam o vazio perceptivo. A concisão de “Nada reconheço” cria contraste eficaz com a frase anterior.

O bloco — “Nas ruas, vielas, lindas moradias, árvores frondosas meneiam frescor aos raios de sol. Olho tudo a minha volta e, nada reconheço, não sou deste lugar!” — apresenta descrição sensorial clara. A enumeração inicial é fluida, com imagens bem articuladas. A frase “Olho tudo a minha volta e, nada reconheço” contém vírgula desnecessária antes de “nada”, mas mantém sentido. A afirmação “não sou deste lugar!” intensifica o sentimento de desenraizamento. O uso de exclamação é expressivo, embora ligeiramente excessivo.

A secção seguinte — “Agora, em outro Estado, tudo igual, lindas casas, prédios de arquitetura quase mágica, perfume nos braços da brisa, como se, dirigido à mim.” — reforça a sensação de deslocação contínua. A construção é clara, com enumeração que mantém coerência imagética. A expressão “perfume nos braços da brisa” é eficaz, embora marcada por ligeira personificação. A construção “como se, dirigido à mim” apresenta erro de regência e vírgula deslocada, mas não compromete o sentido. O fecho — “Tudo bonito, imagens lindas, mas...” — cria suspensão que prepara a transição para o questionamento metafísico.

O bloco — “De onde sou? Porque reencarnei neste planeta? Quando volto?” — introduz dimensão espiritual. As perguntas são diretas, com cadência marcada. A ausência de acento em “Por que” poderia ser ajustada, mas não prejudica a compreensão. A frase seguinte — “E, olhando no infinito, encontro respostas: Não te deixamos! Estamos aqui, eu e tuas filhas Servula e Anasta.” — apresenta mudança de voz. A construção é clara, com pontuação adequada. Os nomes próprios criam efeito de revelação, reforçando o tom metafísico.

A secção — “Cumpra o prometido, faça como determinastes, na escala da vida terrena, erros vem e vão seguidamente, o motivo, Auth"or, é facilidade que te foi propiciada.” — apresenta maior densidade conceptual. A construção é longa, com vírgulas que poderiam ser reorganizadas para maior fluidez. A expressão “erros vem e vão seguidamente” é redundante, mas compreensível. A grafia “Auth"or” é incomum e cria dissonância lexical. A frase mantém coerência temática, articulando responsabilidade e destino.

O fecho — “Saiba utilizá-la. Te esperamos, venha quando tudo acabar. / Te amamos. Na medida certa, pois assim, te deixamos partir, tudo isso em benefício de todos nós. / Te amamos, não te esqueças da medida. / Tua família.” — encerra o poema com tom de despedida e orientação. A construção é clara, com repetição de “Te amamos” que reforça a dimensão afetiva. A expressão “na medida certa” é eficaz, embora ambígua. O fecho com “Tua família” funciona como assinatura simbólica, mantendo coerência com o tom espiritual.

O texto inscreve-se num estilo lírico‑existencial com elementos de narrativa espiritual, marcado pela fusão entre deslocação física, introspeção e revelação metafísica. A força do poema reside na cadência emocional e na alternância entre perceção sensorial e questionamento ontológico. As fragilidades surgem em pequenas irregularidades sintáticas, erros de regência e escolhas lexicais que criam leve dissonância, mas não comprometem a unidade estética. O conjunto apresenta voz intensa, que transforma o desenraizamento em busca de sentido.

Criado em: Hoje 21:01:25
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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