474. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Arlindo Pinto.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Arlindo Pinto. Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Olha,
Agora que os corpos se saciaram,
Em viagens de vai e vem,
Que comprazeram o apetite com que se deram,
Fala-me de ti e diz-me se o amor se tem.

Bem,
Agora que o amor despertou,
Por entre gemidos e uma adivinhada calma,
Encontrando o eu que sou,
Descanso o corpo suado olhando-te a alma.
Deixas-me na boca o fruitivo perfume de mulher
No inebriante abraço com que me arrastas para ti
Esquecido fico do tempo que passa, mas que se quer,
Acalentando o desejo de que permaneças aqui.

Na penumbra do quarto vejo o meu anjo-da-guarda sorrir,
Abençoando o que há em ti de mulher,
Lá fora, o vento sopra noticias que de ti hei-de ouvir,
E o meu coração diz-me que te quer.

Em sussurros de mim te falo,
E digo quanto amo o que me ofereces,
Replicas que tudo acaba, tarde ou cedo,
Mas que de mim não te esqueces.

E o amor, esse que sabe tão bem,
Por entre sussurros e gemidos, pertence a quem o tem.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=20714 © Luso-Poemas

A construção sintática é clara, com predominância de frases simples e coordenações que sustentam o tom coloquial‑lírico. A ortografia é correta, sem deslizes, e a pontuação cumpre função rítmica, marcando pausas que acompanham o movimento emocional. O texto inscreve-se num estilo lírico‑amoroso, com elementos de introspeção e diálogo que reforçam a proximidade entre as vozes.

A abertura — “Olha, / Agora que os corpos se saciaram, / Em viagens de vai e vem, / Que comprazeram o apetite com que se deram, / Fala-me de ti e diz-me se o amor se tem.” — estabelece o eixo temático: o momento posterior ao encontro físico, onde se procura sentido emocional. A construção é sintaticamente correta, embora marcada por ligeira redundância (“vai e vem”). O verso final é eficaz, articulando a dúvida sobre a existência do amor com naturalidade.

O bloco seguinte — “Bem, / Agora que o amor despertou, / Por entre gemidos e uma adivinhada calma, / Encontrando o eu que sou, / Descanso o corpo suado olhando-te a alma.” — apresenta transição do físico ao espiritual. A construção é clara, com uso adequado de vírgulas e concordância. A expressão “adivinhada calma” é feliz, sugerindo serenidade que se insinua. O verso “olhando-te a alma” reforça a passagem para o plano afetivo.

A secção — “Deixas-me na boca o fruitivo perfume de mulher / No inebriante abraço com que me arrastas para ti / Esquecido fico do tempo que passa, mas que se quer, / Acalentando o desejo de que permaneças aqui.” — intensifica a dimensão sensorial. A construção é sintaticamente correta, com uso adequado de vírgulas e ritmo fluido. O adjetivo “fruitivo” é raro, mas funcional dentro do tom. A cadência mantém coerência com a atmosfera de entrega.

O bloco — “Na penumbra do quarto vejo o meu anjo-da-guarda sorrir, / Abençoando o que há em ti de mulher, / Lá fora, o vento sopra noticias que de ti hei-de ouvir, / E o meu coração diz-me que te quer.” — introduz elemento simbólico. A construção é clara, com uso adequado de hífen em “anjo-da-guarda”. A imagem do anjo funciona como metáfora de proteção e aprovação. O verso final sintetiza o desejo com simplicidade eficaz.

A secção — “Em sussurros de mim te falo, / E digo quanto amo o que me ofereces, / Replicas que tudo acaba, tarde ou cedo, / Mas que de mim não te esqueces.” — apresenta tensão entre permanência e finitude. A construção é sintaticamente correta, com uso adequado de vírgulas. A oposição entre “tudo acaba” e “não te esqueces” cria contraste emocional que enriquece o poema.

O fecho — “E o amor, esse que sabe tão bem, / Por entre sussurros e gemidos, pertence a quem o tem.” — encerra o texto com afirmação de universalidade. A construção é clara, com ritmo suave. A frase final sintetiza o percurso emocional, articulando a ideia de que o amor é posse de quem o vive.

O poema inscreve-se num estilo lírico‑amoroso, explorando a intimidade através de imagens sensoriais e reflexões sobre o vínculo afetivo. A força do texto reside na cadência fluida, na clareza sintática e na fusão entre o plano físico e emocional. As fragilidades são mínimas, limitadas à ocasional redundância lexical, mas não comprometem a unidade estética. O conjunto apresenta voz serena e confessional, que transforma o momento íntimo em matéria de reflexão amorosa.

Criado em: Hoje 13:10:59
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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