492. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - sanderscatherina.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de sanderscatherina. Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Aparece na cidade de Lisboa um futurismo
Em forma de criança a ser reconhecida
Fora da sua época, tendo Magdalena Nogueira
E Joaquim Pessoa como pais e academismo
Na sua personalidade tão absorvida.
Nesse ano de 1888 começava a zoeira.

Nos primeiros anos de existência
Sofre a perda do pai de família,
E ainda seu irmão, assim sua mãe se une
Com comandante e África do sul alterne.

Na tenra idade despertava para as letras
E Chevalier de Pas seria o início.
Na colónia Natal frequenta escolas inglesas
Onde se evidencia como discípulo sem baixuras
Até alcança Raínha Vitória, na ausência cicio
Lírico de inglês apareciam zelosas.

A rejeição de Oxford seria a perda dum sonhador
Inglês, e Portugal beneficiaria do compositor.
Regressa ao seu país para tentar o curso
De letras ter, contudo ficara transverso.

Sua avó cessara da vida, e com seu legado
Monta uma tipografia sem êxito nenhum.
Com seu ensaio emprega-se no comércio
Traduzindo correspondência e mensageiro virado,
Estreando a aguardente como acto comum.
Noutra metade da hora na escrita de vício.

Envolve-se com artistas da sociedade
E redige artigos e assiste tertúlias de utilidade.
Em tempo paralelo sobressai do seu eu
Indivíduos indeléveis do seu apogeu.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=21362 © Luso-Poemas

O poema apresenta-se como síntese biográfica em forma de narrativa versificada, articulando episódios da vida de uma figura reconhecível — ainda que nunca nomeada diretamente — através de linguagem híbrida entre o registo histórico e o registo poético. A estrutura é composta por quadras e tercetos irregulares, com rima ocasional e cadência oscilante, revelando intenção de condensar factos num molde lírico. A ortografia apresenta vários deslizes que exigem correção: “Raínha” deveria ser “Rainha”, “baixuras” não é termo adequado ao contexto (o correto seria “baixeza” ou “mesquinhez”), “alterne” é semanticamente inadequado para “alternância” ou “mudança”, “transverso” não funciona como adjetivo para “desajustado”, e “cicio” é termo raro e pouco claro no contexto. A sintaxe, embora globalmente compreensível, apresenta quebras abruptas e construções pouco naturais, revelando tensão entre intenção narrativa e forma poética. O texto inscreve-se num estilo lírico‑narrativo com inclinação biográfica, aproximando-se da poesia didática ou evocativa.

A abertura — “Aparece na cidade de Lisboa um futurismo / Em forma de criança a ser reconhecida” — procura criar imagem simbólica para o nascimento da figura evocada. A construção é sintaticamente correta, mas “futurismo” é termo deslocado, pois remete para movimento artístico posterior e não para a época referida. A estrofe seguinte — “Fora da sua época, tendo Magdalena Nogueira / E Joaquim Pessoa como pais e academismo / Na sua personalidade tão absorvida.” — contém problemas de clareza: “academismo na sua personalidade absorvida” é expressão pouco natural, e a rima força a sintaxe. O verso final — “Nesse ano de 1888 começava a zoeira.” — introduz termo coloquial (“zoeira”) que destoa do registo histórico.

A secção sobre a perda familiar — “Nos primeiros anos de existência / Sofre a perda do pai de família, / E ainda seu irmão…” — é clara, mas o verso “Com comandante e África do sul alterne” apresenta problemas graves: “alterne” não significa alternância, mas prostituição, tornando o verso semanticamente incorreto. A intenção parece ser “com um comandante, e a África do Sul como destino”, mas a construção não o expressa.

A estrofe sobre o despertar para as letras — “Na tenra idade despertava para as letras / E Chevalier de Pas seria o início.” — é coerente, embora “seria o início” seja formulação demasiado vaga. A quadra seguinte contém vários problemas: “baixuras” não é termo adequado, “Raínha Vitória, na ausência cicio / Lírico de inglês apareciam zelosas.” — apresenta sintaxe confusa e imagens pouco claras. A construção parece tentar referir o domínio precoce do inglês, mas a formulação não o sustenta.

A secção sobre Oxford — “A rejeição de Oxford seria a perda dum sonhador / Inglês, e Portugal beneficiaria do compositor.” — é clara, embora “compositor” seja termo inadequado para o contexto biográfico. A estrofe seguinte — “Regressa ao seu país para tentar o curso / De letras ter, contudo ficara transverso.” — apresenta problema: “transverso” não significa “desajustado” ou “contrariado”, tornando o verso semanticamente frágil.

A parte sobre a tipografia — “Sua avó cessara da vida, e com seu legado / Monta uma tipografia sem êxito nenhum.” — é clara, mas o verso seguinte — “Noutra metade da hora na escrita de vício.” — é sintaticamente estranho e pouco preciso. A intenção parece ser referir dedicação à escrita, mas a formulação não é funcional.

A estrofe final — “Envolve-se com artistas da sociedade / E redige artigos e assiste tertúlias de utilidade. / Em tempo paralelo sobressai do seu eu / Indivíduos indeléveis do seu apogeu.” — apresenta cadência mais fluida, embora “sobressai do seu eu indivíduos indeléveis” seja construção pouco natural. A ideia parece ser que surgem heterónimos, mas a formulação não os nomeia nem os contextualiza.

O texto inscreve-se num estilo lírico‑narrativo biográfico, procurando condensar episódios da vida de uma figura literária num molde poético. A força do poema reside na intenção de transformar biografia em narrativa versificada e na tentativa de criar imagens simbólicas para momentos históricos. As fragilidades concentram-se na ortografia irregular, na escolha inadequada de vocábulos, na sintaxe frequentemente forçada pela rima e na falta de precisão conceptual, que por vezes compromete a inteligibilidade. O conjunto apresenta voz empenhada em recriar percurso biográfico, mas necessita de maior rigor lexical e sintático para alcançar plena eficácia estética.

Criado em: Hoje 20:30:02
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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