506. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Palavras Soltas. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Palavras Soltas. Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.
Nascemos independentes da nossa vontade. Mas a vida é um encanto. E nos encanta.Os primeiros risos, as primeiras flores, os primeiros amanheceres, os primeiros anos... as primeiras descobertas. Vamos desbravando a vida e enfrentando o desconhecido maravilhados... Então vêm os primeiros nãos... As primeiras quedas, as primeiras decepções, as primeiras lágrimas que não nos impedem, nem por isso, de ir em frente! Mas um dia o desconhecido, o inexplicável, pode tirar nossa vontade de viver. As perdas, as grandes, aquelas sem volta que, por mais alto e forte que gritemos, fazem-se de surdas... E a vida perde seu sentido... Os amanheceres e entardeceres tornam-se uma e a mesma coisa: tristes! Recusamo-nos a ver a luz do dia, o sol que brilha, a vida que palpita, os pássaros que cantam e as flores que, teimosas, continuam se abrindo em total indiferença à nossa dor. E é preciso, nesse momento onde queremos parar mas que a vida não pára... é preciso reaprender a viver. Não aceitamos nossas perdas irreparáveis e absurdas, mas precisamos aprender a viver com elas e apesar delas. E ver a vida com outros olhos. Talvez, reconhecer de vez nossa pequenez diante do desconhecido. E reviver... A pequenos passos, tímidos, lentos, tal qual criança que ainda não viu nada, mas com a sabedoria dos velhos que já sabem que a vida é um poço de mistérios. E vamos assim, não importa nossa idade, desbravando novamente a vida. Vamos sorrir novamente. Ver a luz do dia, olhar nos olhos dos que ficaram e que estiveram do nosso lado mesmo quando estivemos temporariamente cegos a tudo o mais. Ver as flores, que nunca desistiram de viver e experimentar o dia-a-dia, novos gostos dessa nova vida que se oferece a nós.Tudo pode ter um fim. Mas todo fim pode ser o início de um recomeço. E a vida continua linda... Força, amiga... estou sempre cá... Até Deus deixar.... Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=22012 © Luso-Poemas O texto apresenta-se como uma reflexão existencial construída em torno da tensão entre o deslumbramento inicial da vida e o impacto devastador da perda. A abertura — “Nascemos independentes da nossa vontade. Mas a vida é um encanto. E nos encanta.” — estabelece um tom meditativo que combina simplicidade sintática com uma cadência quase aforística. A repetição de “encanto” e “encanta” cria um efeito de circularidade que funciona bem, embora a ausência de espaço após o ponto (“E nos encanta.Os primeiros risos…”) constitua uma falha ortográfica que quebra a fluidez. A enumeração dos “primeiros risos”, “primeiras flores”, “primeiros amanheceres” e “primeiras descobertas” constrói uma progressão sensorial eficaz, ainda que assente em imagens convencionais. A força do texto reside menos na originalidade imagética e mais na sinceridade da observação. A transição para os “primeiros nãos”, “primeiras quedas” e “primeiras decepções” introduz o contraponto necessário, mantendo a estrutura paralelística que dá unidade ao texto. A frase “Mas um dia o desconhecido, o inexplicável, pode tirar nossa vontade de viver” marca uma viragem tonal abrupta, que poderia beneficiar de maior preparação emocional para evitar o salto demasiado brusco entre o quotidiano e o trágico. Ainda assim, a construção é clara e compreensível. A secção que aborda “as perdas, as grandes, aquelas sem volta” é uma das mais fortes do texto, pela contenção e pela escolha precisa de palavras. A imagem das perdas que “fazem-se de surdas” é expressiva, embora ligeiramente antropomórfica, o que pode ser interpretado como excesso retórico. A descrição da apatia subsequente — “Os amanheceres e entardeceres tornam-se uma e a mesma coisa: tristes!” — é eficaz, mas o uso do ponto de exclamação pode ser considerado excessivo num texto que se pretende meditativo. A recusa em ver “a luz do dia”, “o sol que brilha”, “os pássaros que cantam” e “as flores que, teimosas, continuam se abrindo” cria uma oposição entre a persistência da natureza e a estagnação emocional do sujeito, embora a enumeração seja longa e algo redundante. A frase “é preciso reaprender a viver” funciona como eixo conceptual do texto, mas poderia ser reforçada com maior densidade reflexiva. A secção que aborda a necessidade de aceitar perdas irreparáveis é coerente, mas contém algumas construções que poderiam ser mais cuidadas, como “não aceitamos nossas perdas irreparáveis e absurdas, mas precisamos aprender a viver com elas e apesar delas”, onde a repetição de “elas” enfraquece o ritmo. A imagem da criança que “ainda não viu nada” combinada com “a sabedoria dos velhos” é eficaz, embora assente em um contraste já muito explorado na literatura. A conclusão — “Tudo pode ter um fim. Mas todo fim pode ser o início de um recomeço. E a vida continua linda...” — encerra o texto com uma nota de esperança, mas a palavra “linda” pode soar sentimental demais para o tom reflexivo que o texto vinha construindo. O fecho “Força, amiga... estou sempre cá... Até Deus deixar...” introduz uma dimensão pessoal e religiosa que altera o registo, deslocando o texto de uma reflexão universal para uma mensagem dirigida, o que pode ser interpretado como quebra de unidade estilística. Em termos de estilo, o texto enquadra-se na prosa poética reflexiva, com forte influência da escrita motivacional e existencial contemporânea. A estrutura é fluida, sem preocupação com rigor métrico, mas com intenção clara de transmitir uma experiência emocional e filosófica. A linguagem é acessível, direta e marcada por enumerações, paralelismos e contrastes. O texto cumpre a função de meditação sobre a perda e o renascimento, mas beneficiaria de maior contenção retórica, maior precisão ortográfica e maior cuidado na manutenção de um registo uniforme ao longo de toda a composição.
Criado em: Hoje 19:31:07
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