509. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - RICARDO DE OLIVEIRA.
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De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de RICARDO DE OLIVEIRA. Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

O homem come o pedaço do silencio,
Olha o vazio,
Olha o sonho com suas enfunes
Que Gemem aos cacos.
Sus gritos na noite procura
a gota do sêmem com gosto
de canela á chantili.
Os postes escoram meninos
todos gritam de prazer, que cozo
em seus nervos tortos,
gritos torcidos
moscas nas veias,
Tudo vai neste caos.
Gemem seus cactos verdes
naqueles braços enfraquecidos
na flor da pele os ossos e veias
num cozo.
Sobre um caixão
Cantigas e rezas,
Por quem não se faz
Mais que dormir e dormir.
Pó que gera ópio num manto de ouro
Sobre o corpo nu,
Humilis di corpus Algust.

Qualquer palavra
Assalta-me
Atira-me aviva mata-me
Mais que um grito
Menos que o tiro
Que canta e sangra,
Mais que a paz
Menos que guerra,
Ouço alguns tiros.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=22198 © Luso-Poemas

O poema apresenta-se como uma composição de imagética fragmentada, marcada por um fluxo de consciência que oscila entre o grotesco, o surreal e o visceral. A abertura — “O homem come o pedaço do silencio” — estabelece de imediato um universo simbólico onde o silêncio é materializado, devorado, transformado em substância. A ausência de acento em “silencio” é um deslize ortográfico que, embora não comprometa a leitura, quebra a consistência formal. A sequência “Olha o vazio, / Olha o sonho com suas enfunes / Que Gemem aos cacos” introduz uma linguagem que se aproxima do expressionismo, mas contém problemas de grafia (“enfunes”, provavelmente “enfunes” ou “enfurnes”, não reconhecido; “Gemem” com maiúscula sem função sintática). A fragmentação sintática reforça o caráter caótico do texto, mas exige maior rigor para evitar que a ruptura se torne ruído.

A imagem “Sus gritos na noite procura / a gota do sêmem com gosto / de canela á chantili” combina elementos corporais com sabores culinários, criando uma justaposição perturbadora. Há erros ortográficos (“Sus” por “Seus”; “á” por “à”), e a referência ao sêmen, embora não sexualizada no sentido narrativo, introduz um elemento corporal que se insere no grotesco, não no erótico. A metáfora é intensa, mas a acumulação de elementos díspares pode dispersar o foco emocional. A sequência “Os postes escoram meninos / todos gritam de prazer, que cozo / em seus nervos tortos” é uma das mais problemáticas do ponto de vista semântico: a associação entre postes, meninos e prazer cria uma ambiguidade que exige cuidado, pois o poema não parece querer sugerir erotização infantil, mas sim uma distorção surreal da cidade e dos corpos. A palavra “cozo” é repetida mais adiante, mas a sua função metafórica permanece vaga.

A estrofe seguinte — “gritos torcidos / moscas nas veias, / Tudo vai neste caos” — reforça o caráter expressionista, com imagens de decomposição e distorção corporal. A construção é coerente com o universo do poema, embora a repetição de elementos grotescos possa tornar-se excessiva. A imagem dos “cactos verdes” que “gemem” nos “braços enfraquecidos” mantém a lógica surreal, mas a sintaxe é irregular e a repetição de “cozo” não acrescenta clareza. A secção “Sobre um caixão / Cantigas e rezas, / Por quem não se faz / Mais que dormir e dormir” introduz uma dimensão ritual e funerária que contrasta com o caos anterior, criando uma pausa simbólica. A repetição de “dormir” reforça a ideia de morte, mas a construção poderia ser mais precisa para evitar redundância.

A frase “Pó que gera ópio num manto de ouro / Sobre o corpo nu, / Humilis di corpus Algust” introduz latim, mas a expressão é incorreta ou inventada; “Humilis” significa “humilde”, “corpus” é “corpo”, mas “Algust” não corresponde a forma latina reconhecida. A tentativa de inserir latim contribui para o tom ritualístico, mas a falta de correção enfraquece o efeito. A secção final — “Qualquer palavra / Assalta-me / Atira-me aviva mata-me / Mais que um grito / Menos que o tiro / Que canta e sangra, / Mais que a paz / Menos que guerra, / Ouço alguns tiros.” — é uma das mais fortes do poema, pela cadência e pela tensão entre opostos. A construção “aviva mata-me” é irregular, mas expressiva. A alternância entre “mais que” e “menos que” cria um ritmo binário que reforça a indecisão emocional. O fecho com “Ouço alguns tiros” devolve o poema ao real, encerrando o ciclo de caos e fragmentação.

Em termos de estilo, o poema enquadra-se claramente no expressionismo poético contemporâneo, com elementos de surrealismo grotesco e traços de fluxo de consciência fragmentado. A linguagem é marcada por imagens violentas, corporais e desconexas, que constroem um universo de desagregação emocional e simbólica. A ortografia apresenta falhas recorrentes, e a sintaxe, embora coerente com a estética do caos, poderia beneficiar de maior precisão para evitar ambiguidades indesejadas. O texto é intenso, perturbador e deliberadamente dissonante, mas exige maior rigor formal para que a força expressiva não se dilua na irregularidade gráfica.

Criado em: Hoje 6:43:27
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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