510. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - shogo. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de shogo. Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.
O QUE SERIA DO SOL SEM A PUJANÇA DA LUA O QUE SERIA DE MIM SEM À PRESENÇA SUA? O QUE SERIA DO VENTO SE NÃO HOUVESSE À CALMARIA. O QUE SERIA DE MIM SEM TEU AMOR. EU, SIMPLESMENTE NÃO VIVERIA! O QUE SERIA DO DOCE SEM O AMARGO O QUE SERIA DE MIM SEM TEU AFAGO? O QUE SERIA DA RETA SE NÃO EXISTISSE À TORTA O QUE SERIA DE MIM SEM O TEU CALOR QUE ME CONFORTA? O QUE SERIA DO FIRMAMENTO, SEM ÁS ESTRELAS A BRILHAR. O QUE SERIA DE MIM SEM TEUS OLHOS PARA ADMIRAR! O QUE SERIA DO FATO SEM À INVERDADE O QUE SERIA DE MIM VIVER SÓ DE TUA SAUDADE? O QUE SERIA DAS PARALELAS SE NÃO HOUVESSE O INFINITO O QUE FAZER DE MIM. POIS, SEM TI NÃO EXISTO! O QUE SERIA DA ESFINGE SEM A INCÓGNITA O QUE SERIA DE MIM SE TU É O QUE IMPORTA? O QUE SERIA DA TEMPESTADE SEM HAVER TEMPO AMENO O QUE SERIA DE MIM, SEM A TEMPESTADE DESSE AMOR TÃO SERENO? O QUE SERIA, O QUE SERIA... Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=22222 © Luso-Poemas A fórmula “O que seria…” funciona como eixo estrutural e emocional, convocando uma série de pares antitéticos — sol/lua, vento/calmaria, doce/amargo, reta/torta, firmamento/estrelas, fato/inverdade, paralelas/infinito, esfinge/incógnita, tempestade/tempo ameno — que procuram estabelecer uma relação de complementaridade universal. A intenção é clara: demonstrar que tudo existe em função do seu contrário e que, por analogia, o sujeito poético existe em função da pessoa amada. Esta construção, embora eficaz na repetição, apresenta problemas formais que fragilizam o texto. O primeiro deles é ortográfico: o uso recorrente de “À” com acento grave em contextos onde não há crase (“sem à presença sua”, “sem à calmaria”, “sem às estrelas”, “sem à inverdade”). A crase não se aplica porque não há fusão entre preposição e artigo; trata-se de erro sistemático que compromete a correção formal do poema. Há também inconsistências na pontuação: versos terminados com ponto final alternam com versos sem pontuação, e a presença de vírgulas é irregular, criando uma oscilação rítmica que não parece intencional. A grafia de “ÁS ESTRELAS” com acento agudo é igualmente incorreta. Estes deslizes acumulados prejudicam a credibilidade técnica do texto. Do ponto de vista imagético, o poema recorre a metáforas simples e previsíveis, baseadas em oposições binárias. Embora coerentes, não apresentam grande inovação poética. A relação entre sol e lua, doce e amargo, reta e torta, tempestade e serenidade são imagens muito exploradas na poesia popular contemporânea. A repetição constante da estrutura interrogativa cria um efeito de insistência emocional, mas também pode gerar monotonia, sobretudo porque as respostas implícitas são sempre as mesmas: sem o outro, o eu não existe. Esta repetição reforça a intenção afetiva, mas limita a profundidade interpretativa. Há também uma oscilação entre registo coloquial e registo mais formal. Versos como “O que fazer de mim. Pois, sem ti não existo!” apresentam uma construção sintática irregular: o ponto após “mim” quebra a fluidez e a frase seguinte surge como fragmento. A pontuação poderia ser revista para maior clareza. A expressão “O que seria de mim viver só de tua saudade?” é semanticamente ambígua, pois a construção “de mim viver” não é natural em português padrão; a frase carece de reestruturação para evitar estranheza sintática. O fecho — “O que seria, o que seria...” — tenta condensar a insistência do poema, mas termina de forma abrupta, sem oferecer uma conclusão emocional ou conceptual. A repetição cria um eco, mas não acrescenta significado novo. Em termos de estilo, o poema enquadra-se na poesia lírica popular contemporânea, com forte influência da poesia afetiva de repetição retórica, frequentemente encontrada em composições de caráter sentimental. A estrutura é simples, baseada em paralelismos e antíteses, e a linguagem é acessível, sem preocupação com elaboração metafórica mais complexa. O texto cumpre a função expressiva, mas beneficiaria de revisão ortográfica rigorosa, maior variação imagética e maior cuidado na construção sintática para evitar redundâncias e irregularidades.
Criado em: Hoje 6:50:10
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