525. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Raul de Oliveira.
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24/12/2006 19:19
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Raul de Oliveira. Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Doem meus olhos e minha alma.
Não porque você se foi, mas porque ficou.

Ficou em cada sonho atravessado na realidade.
Permance eternizada em cada sensação minha
Em minhas novas atitudes.

Queria dormir, quem sabe eternamente.
Mesmo assim você não vai embora.
Queria simplesmente parar minha cabeça.

Parar para me afastar de ti, mas você não se vai.
Mas eu nunca mais vou ai, estou terminando com você.
VAI! DESAPAREÇA!
Mas não quero. Me explica. Me convença!
Mas eu estou em casa.
Na sua casa, na minha casa.
A contradição da ciencia.
Não se desvanecesse como fumaça
Mas onde você está?

Aqui.
Não sai da minha cabeça. Como não vem mais aqui.
Como você vai e fica? Serei eu o louco?

Meus olhos doem tanto, pois não choraram tua ida.
Não chorarão. Pois você ficou.

Por que você não se foi? Quando disse que iria?
Permaneceu na minha lembrança!

Queria dormir.
Mas que pesadelo. Que sonho passou.
Que pesadelo passou.
Que sonho se tornou.
Que contradição em tudo se formou.

Como eu queria destrui-la da minha mente.
Acabar com essa sensação que me corrói
Com esse vai e volta.
Que distrói em mim tanta certezas. E me dão tantas outras.
Será que existe nobreza? Ia ser tão dificil olhando nos teus olhos.
Mas não existe isso. Alou, onde você está?
Estou ai. Nâo não está.
Esteve?

Quero a paixão. Quero outras pessoas. Quero uma vida diferente.
Quero desistir. Quero parar de sonhar realmente. A quero ausente.
Quero que saiba que não sinto nada a tanto tempo.
A algumas palavras você nem estava aqui mais.
Ah é? É.
Você está aqui, e eu não havia desistido.

Lutar. Lutar tanto por um vazio.
O seu convite não existe mais. O seu lugar já está perdido.
O seu lugar ficou vago. Será assumido? Sim e não.
Como esse poema de contradição.

Eu estou perdido, no meio de um batalhão de pensamentos.
Quero correr. Quero me socorrer. Quero implorar.
Quero viver, amar e ficar com outras pessoas.
Eu ou você?
Dois iguais se anulam. É ciência.
Só faltou a paciência.

Eu só queria esquecer você. Pelo menos agora.
Para passar e me recordar com carinho.
Quero descansar. Quero sorrir de verdade.
Nâo quero lembrar.

Mas estou sorrindo. Vejo você sorrindo.
Estou feliz, acabou... ACABOU...

O amor acabou. A dívida acabou. O dinheiro traia?
Não quero ver o irreal. Vejo. O real. Mas é irreal.
Estou louco neste momento. Prendam-me.
Não precisa. Estou preso dentro de mim.
Trancafiado. Com a chave das palavras e uma lembraça contraditória.

Estou enfiado em meu tormento.
Deus. Tem misericórdia de mim e leve meu coração.
Não estou sofrendo tanto. Quero chamar a atenção.
Pode ter certeza. Que é só o vazio e a solidação.

Qual caminho você tomou, será que me afastei tanto?
Você já está longe.
Eu estou longe. Eu estava longe a muito tempo.
Será que você viu a sombra de um passado e tentou resgatá-lo?
Não vou voltar para tras. Vou seguir em frente
Mas há o vazio à minha frente.

Se isso não acontecer agora será traição.
Mas eu me traia em palavras, em emoção.
Em emoção de um ébrio.
Na sobriedade de um ébrio eu ouvi você falar
Eu te amo, te amo de verdade, te amo muito.
Eu estou bêbado de alegria.
Pois a emoção e as palavras do ébrio são vazias?

Não saberei um dia. Somente vivo na contradição.
No castigo imposto por tua mão, por teu olhar, por teu coração.
Por teu encanto pérfido. Contraditório. Real?
Eu não sou real. Eu nem estou aqui.
Você não está aqui. Ninguém mais está aqui.
Todos ficaram para traz.
Palavras, sonhos, tristezas, até o futuro.

Como o futuro ficou para traz? O futuro enganador.
Sublime e que fez o futuro de hoje.
Você não está aqui. Mas está.
Estará por que eu não estou. Eu fiquei. Sentei.
Perdi o chão. Nâo reconheci tua preocupação.
Você poderia fazer cara de que não liga.

Mas eu ligo. Ligava. Sentia.
Mas eu quero me apaixonar. Ficar com outras pessoas.
Conhecer outras pessoas. Eu gosto de ficar com você.
Não. Eu não saia. Não podia. Faltava tão pouco.
Agora saiu. Acabou. Tudo acabou.

A caipirinha, o vinho, a música, os amigos.
Mas você está lá, a me martirizar por algo que eu não podia dar.
Não posso mais dar, pois acabou. Acabou tudo. Tudo passou.
E só vai melhorar. Era só esperar, acabar.
Como esta contradição.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=23131 © Luso-Poemas

A composição procura reproduzir o movimento errático da consciência após a perda de uma relação, recorrendo a sucessivas oscilações entre afirmação e negação, desejo e rejeição, proximidade e afastamento. O título não é apresentado, mas a palavra “contradição”, repetida ao longo do texto, acaba por funcionar como eixo organizador de toda a estrutura. Não se trata de uma narrativa linear sobre um fim amoroso; trata-se antes da dramatização da mente de alguém incapaz de estabilizar o próprio pensamento diante da ausência.

A primeira frase estabelece imediatamente uma distinção interessante: “Doem meus olhos e minha alma. Não porque você se foi, mas porque ficou.” A oposição entre partir e permanecer constitui o núcleo conceptual do poema. A ausência física produz uma permanência psicológica que o sujeito não consegue expulsar. Esta ideia é desenvolvida de forma consistente ao longo da composição, conferindo-lhe unidade temática apesar da sua extensão e fragmentação.

Formalmente, o texto aproxima-se da prosa poética e do fluxo de consciência. Muitas passagens reproduzem o raciocínio em tempo real, sem preocupação de o organizar lógica ou discursivamente. Essa opção é coerente com o estado psicológico retratado, mas produz simultaneamente algumas fragilidades. Certas repetições tornam-se excessivas e alguns blocos reiteram a mesma ideia sem lhe acrescentar nova dimensão. A insistência constante no dilema “vai e fica”, embora relevante para a construção do tema, poderia beneficiar de maior condensação.

Do ponto de vista gramatical e ortográfico, existem diversos aspetos a corrigir. “Permance” deveria ser “permanece” ou “permaneceu”, conforme a intenção sintática. “Ciencia” exige acento: “ciência”. “Nâo” surge diversas vezes em vez de “não”. Em “Como eu queria destrui-la”, a forma normativa é “destruí-la”. “Tanta certezas” deveria ser “tantas certezas”. “Difícil” surge sem acento. “Lembraça” deveria ser “lembrança”. “Solidação” não existe na norma; provavelmente pretendia-se “solidão” ou “desolação”. “Para tras” exige acento gráfico: “trás”. Estes desvios são numerosos e afetam a solidez formal do texto, sobretudo porque se acumulam numa composição de grande extensão.

Em termos estilísticos, a principal qualidade reside na autenticidade da voz interior. O discurso não procura parecer equilibrado ou elegante; procura reproduzir a instabilidade emocional. As perguntas sucessivas, os diálogos consigo mesmo e os desmentidos permanentes criam um retrato convincente de uma consciência fragmentada. Há momentos particularmente eficazes, como “Não precisa. Estou preso dentro de mim.” ou “Você não está aqui. Mas está.” Nestes trechos a contradição deixa de ser apenas tema e converte-se em forma.

A presença constante de diálogos imaginários contribui para transformar a ausência numa personagem ativa. O interlocutor desaparecido não responde realmente, mas ocupa o espaço mental do sujeito. Esta estratégia aproxima o texto de uma dramaturgia íntima, onde duas vozes coexistem dentro da mesma consciência. O resultado é por vezes caótico, mas raramente desprovido de coerência emocional.

Uma fragilidade significativa encontra-se na tendência para explicar o sofrimento em vez de o deixar manifestar-se através das imagens. Quando o texto se limita a dizer que há dor, vazio ou contradição, perde intensidade. Curiosamente, os melhores momentos surgem quando surgem imagens concretas: a porta que pode abrir-se, a chave das palavras, o batalhão de pensamentos, o futuro que ficou para trás. Nesses instantes, a abstração ganha corpo e a experiência torna-se mais literária.

A secção dedicada ao “ébrio” merece destaque. A oposição entre embriaguez e sobriedade, verdade e ilusão, emoção e vazio, funciona de maneira eficaz porque prolonga a lógica contraditória que estrutura toda a composição. O sujeito já não sabe se acredita nas palavras recebidas, nas emoções sentidas ou nas lembranças preservadas. A incerteza deixa de ser apenas amorosa e torna-se existencial.

Em termos de enquadramento literário, o texto situa-se na prosa poética confessional de matriz existencial, com fortes aproximações ao fluxo de consciência e à escrita introspectiva contemporânea. A composição privilegia a exposição direta do conflito psíquico em detrimento da construção formal ou da musicalidade. A sua maior força encontra-se na coerência emocional e na representação insistente da impossibilidade de encerrar uma relação que terminou exteriormente mas continua viva na memória. As suas principais fragilidades residem na extensão excessiva, na repetição frequente dos mesmos núcleos temáticos e no número significativo de incorreções gramaticais e ortográficas. Ainda assim, o texto mantém uma identidade clara e sustenta de forma consistente o tema da permanência psicológica daquilo que já desapareceu da realidade.

Criado em: Hoje 7:17:13
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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