24. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - EdvaldoRosa. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de EdvaldoRosa.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. (O texto aqui está abreviado com "(...)" por ser muito extenso, para ler na totalidade carregue o link) Nós sempre amamos... Mas quando abrimos nossos corpos, feito portos, para o ancorar do barco que traz nosso amado, estamos nos abrindo, corpo, mente e alma, para o plantio do Senhor! Somos a terra do Senhor, sua seara! E o barqueiro recêm chegado, abrindo as nossas carnes, fincando profundo em nós seu cajado, fende nosso corpo, plantando em nós suas sementes... Somos assim apenas amor, nunca pecado! Nos sempre amamos, Mas quando nossos corpos se veêm preenchidos, pelo sopro divino, pela forja rija do amado, ajudado, amamos mais... Muito mais amamos aos seres já antes amados! (...) Menino ou menina que importa naquela hora, onde a criança chora! Onde a criança sorri! Onde aquele par de olhos se abrem á luz... Que é por fim a própria luz agora! O fruto do amor, de amar é todo expectativa, mistério que aos poucos se descortina, ante o passar tempo! E o tempo passará, feito as águas dos rios, a procura do mar... E os filhos, são o nosso oceano, onde um dia outros barcos irão navegar! Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=474 © Luso-Poemas Este poema traduz‑se numa liturgia do amor carnal e espiritual, onde o corpo é simultaneamente porto, terra, seara e templo. Desde o início, a imagem do corpo que se abre “feito portos, para o ancorar do barco que traz nosso amado” estabelece uma metáfora marítima que se converte em teologia íntima: o amado é barqueiro, viajante, portador de sementes; o corpo é cais, acolhimento, promessa de fecundidade. A fusão entre erotismo e sacralidade é deliberada: “estamos nos abrindo, corpo, mente e alma, para o plantio do Senhor” Página atual. Aqui, o poema dissolve a fronteira entre o ato amoroso e o gesto divino, como se o encontro dos corpos fosse também um sacramento, uma continuidade da criação. A segunda secção intensifica essa simbologia: o barqueiro “abrindo as nossas carnes, fincando profundo em nós seu cajado” transforma o ato sexual numa imagem de semeadura primordial. A linguagem é forte, quase bíblica, mas nunca violenta; é uma força que cria, não que fere. A afirmação “Somos assim apenas amor, nunca pecado!” Página atual é o eixo ético do poema: o amor, quando vivido em plenitude, não conhece culpa. O texto reivindica a inocência do desejo, a pureza da entrega, a santidade do corpo que ama. A terceira parte desloca o foco para o mistério da semente: “A semente é completamente mistério, somente sonho é a semente!” . O poema reconhece que a criação da vida é um enigma que ultrapassa o humano, e por isso mesmo é sagrado. A ausência de distinção entre “menina ou menino” Página atual reforça a ideia de que o amor antecede qualquer forma, qualquer destino. O que importa é o gesto de amar, que é eterno, e o fruto desse gesto, que é promessa. A secção seguinte introduz a figura da mãe: “A mãe docemente então embala… o ser que sem futuro certo, decerto será de glória!” . A maternidade é apresentada como ternura e esperança, como se o simples ato de embalar já fosse uma profecia. O pai, por sua vez, surge “às vezes esquivo… talvez de medo, decerto de orgulho” Página atual, revelando uma ambivalência humana que contrasta com a certeza amorosa da mãe. O desejo de que o filho seja “o varão… que leve o seu passo além fronteiras” expõe uma herança cultural antiga, quase patriarcal, mas o poema não a julga: apenas a expõe como parte da condição humana. A estrofe que segue dissolve qualquer distinção de género: “Menino ou menina, que importa naquela hora, onde a criança chora! Onde a criança sorri!” . A luz que se abre nos olhos da criança é apresentada como a própria luz do mundo, como se o nascimento fosse um novo amanhecer da criação. O poema, então, desloca‑se para uma reflexão sobre o tempo: “mistério que aos poucos se descortina, ante o passar tempo!” Página atual. O tempo é rio que corre para o mar, e os filhos são “o nosso oceano, onde um dia outros barcos irão navegar” . A metáfora marítima retorna, fechando o ciclo: o amor gera o mar, e o mar gera novos navegantes. No conjunto, o poema é uma celebração da fecundidade — não apenas biológica, mas espiritual. O corpo é terra; o amado é semeador; a semente é mistério; o filho é oceano. O texto articula erotismo, religiosidade e genealogia com uma naturalidade rara, como se o amor humano fosse a própria continuidade da criação divina. A força do poema reside nessa fusão: o que é íntimo torna‑se cósmico; o que é carnal torna‑se sagrado; o que é humano torna‑se eterno.
Criado em: Hoje 7:38:44
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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