31. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Poeta_Morto. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Poeta_Morto.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Porque o texto é muito extenso usou-se uma quebra "(...)". Para o ler por completo siga o link. Egoísta foi Por toda magoa para ti somente guarda E não compartilhar sua dor com ninguém mais Seus gritos abafados Foram retratados Seus olhos nunca me enganaram Na ausência de vida Cobriste-te corpo nu com negro véu E popas te o mundo que lhe cercava de sua dor Ao leito onde se encerra Espera com fervor Seus olhos fixos se despejam ao nada O vento balança a copa das arvores E seus lamentos estão escritos Pode-se ver em seu olhar Quanto grande a decepção pode ser Ao grande custo de uma vida se privar E que se assim de fato for que se vá com esplendor O sol brilha e as pessoas saem para mendigar Sorrisos, saudações Dignidade. Lá fora é dia, mais neste leito ainda abrange a noite. Teus irmãos, levantaram-se mil vezes Mais se curvaram ao seu olhar Que ao profundo ao nada se perde Blasfêmias agora podem se ouvir Nasceste perfeita e não se perguntou o por quê? Agora na depressão de teu estado se perguntam, o por quê? No estado mais profundo se confunde a um defunto Seu olhar parado Sua pele cadavérica (...) Nos degraus da velha igreja Já fé não tinha lá De joelhos aos choros sua imagem me veio De pesares comuns ao entanto não me privei Então me lembro Não vale muito Que de onde tu descansas As mãos dela chegam lá Viva e não deixa lhe tocar Que do amor muito fácil à alta traição se chega Que da dor mais bom gosto a alegria alcançada terá Que em lagrimas maior será o seu sorriso Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=872 © Luso-Poemas O poema abre com uma acusação — “Egoísta foi / Por toda mágoa para ti somente guarda” — mas logo se percebe que a construção sintática é instável: falta concordância (“guarda” deveria ser guardada), falta precisão verbal, falta ritmo. A ideia é forte: alguém que retém a dor e não a partilha. Contudo, a formulação é confusa e o verso seguinte — “E não compartilhar sua dor com ninguém mais” — repete a mesma ideia sem acrescentar nuance. A repetição, aqui, não cria ênfase; cria redundância. A estrofe que segue — “Seus gritos abafados / Foram retratados / Seus olhos nunca me enganaram” — tenta construir tensão psicológica, mas a expressão “foram retratados” é vaga, quase burocrática. Retratados onde? Como? Por quem? A imagem não se concretiza. O verso “Seus olhos nunca me enganaram” é mais eficaz, mas demasiado genérico para sustentar o peso emocional que pretende. A secção “Na ausência de vida / Cobriste-te corpo nu com negro véu / E popas te o mundo que lhe cercava de sua dor” contém erros que prejudicam a leitura: “popas te” não existe; talvez poupaste? A frase, tal como está, torna-se ininteligível. A imagem do corpo nu coberto por véu negro é forte, mas surge sem preparação, sem contexto, quase como um salto brusco para o fúnebre. O poema prossegue com uma sucessão de imagens mortuárias — “leito onde se encerra”, “olhos fixos despejando-se ao nada”, “pele cadavérica”, “defunto”, “morta pele”, “morto olhar” — mas a acumulação excessiva torna o efeito previsível. O excesso de palavras relacionadas com morte não aprofunda o tema; apenas o repete. A poesia fúnebre exige contenção, não catálogo. Há também problemas de coerência temporal e narrativa: ora o eu lírico descreve a mulher como viva, ora como morta, ora como moribunda, ora como lembrança. A oscilação poderia ser interessante se fosse intencional, mas aqui parece mais fruto de falta de revisão. A frase “Como a face de um anjo mal / Por fim seu rosto trincou / E seu sábio soprou” é particularmente problemática: “anjo mal” é uma expressão pobre; “seu sábio soprou” é obscura; e “trincou” aplicado ao rosto soa mais grotesco do que trágico. A secção final tenta recuperar o tom elegíaco, mas tropeça novamente na sintaxe: “Miríada a dor de ver sua pessoa me deixar / E esta não será miscível a qual quer outra” — miscível é termo químico e não funciona aqui; “qual quer” deveria ser qualquer. A imagem da caminhada ao morgue é forte, mas perde impacto pela frase longa e mal articulada. A reflexão sobre o esquecimento — “Pois quem sabe no esquecimento é melhor se encontrar?” — é interessante, mas surge tarde demais, depois de demasiados versos saturados de imagens repetidas. O poema tem intenção, tem atmosfera, tem matéria emocional. Mas falta-lhe rigor formal: há erros ortográficos (“mais” por mas, “pos” por pois, “ziguilhões” antes, “popas te”), problemas de concordância, frases truncadas, metáforas mal resolvidas e excesso de repetições. A densidade temática — morte, luto, depressão, abandono — exige precisão, contenção e ritmo. Aqui, a emoção transborda, mas a forma não a sustém.
Criado em: Hoje 13:38:14
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