33. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - fer.car.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de fer.car.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Um amor existe para ser vivido
Uma alma para ser amada
Um corpo para ser tocado
Um beijo para levar à elernidade
Um caminho para ser idealizado
Uma vida para ser honrada
Um sonho para se concretizado
Um amizade para ser pura
Existe vida em seus dias?
Existe toque neste corpo?
Existe amor nesta alma?
Então de que vale a vida?
Pense a respeito
Por isso
Sonhe
Ame
Toque alguém
Ninguém nasceu apenas para existir
Faça valer a pena...
Porque vc é parte desta história
Vc existe não somente para mim,
mas para o mundo inteiro

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=991 © Luso-Poemas

Há, neste poema, uma intenção clara de mensagem motivacional: lembrar a quem lê que a vida não se esgota em existir, que é preciso amar, tocar, sonhar, participar de uma história maior. A estrutura em anáforas (“Um amor…”, “Uma alma…”, “Um corpo…”) cria um ritmo simples, quase de lista, que aproxima o texto da linguagem de rede social ou de mural inspiracional. Isso não é um defeito em si, mas define bem o registo: mais frase de efeito do que elaboração poética.

Do ponto de vista formal, há alguns deslizes que quebram a fluidez: “elernidade” (por “eternidade”), “Um sonho para se concretizado” (falta o “ser”: “para ser concretizado”), “Um amizade” (erro de género), além da oscilação entre “você” abreviado (“vc”) e um tom mais solene no resto do texto. Essa mistura de registos enfraquece a unidade: ou se assume de vez a oralidade contemporânea (“vc”, frases curtas, coloquialismo), ou se trabalha uma dicção mais cuidada e coerente.

A parte interrogativa (“Existe vida em seus dias? / Existe toque neste corpo? / Existe amor nesta alma?”) é, talvez, o momento mais interessante: aqui o texto deixa de afirmar e passa a confrontar o leitor. Há um embrião de tensão existencial que poderia ser mais explorado, fugindo ao lugar‑comum. Em vez de regressar logo ao imperativo motivacional (“Sonhe / Ame / Toque alguém”), o poema poderia aprofundar essa dúvida, mostrar uma fissura, um exemplo concreto, uma imagem menos abstrata.

O fecho—“Ninguém nasceu apenas para existir / Faça valer a pena... / Porque vc é parte desta história / Vc existe não somente para mim, / mas para o mundo inteiro”—funciona como slogan: eficaz para quem procura consolo rápido, previsível para quem procura densidade literária. Falta-lhe singularidade: podia haver uma metáfora, uma cena, um gesto particular que tornasse esse “você” menos genérico e mais pessoa.

Em resumo: o texto cumpre bem o papel de mensagem de incentivo, mas ainda está longe de uma poesia trabalhada. Se a tua intenção for aproximá-lo de um registo mais literário, o caminho passa por: corrigir os erros formais, unificar o tom (ou mais coloquial, ou mais elaborado) e substituir abstrações (“amor”, “vida”, “sonho”) por imagens concretas que tornem essa filosofia menos frase feita e mais experiência vivida.

Criado em: Hoje 16:26:14
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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