62. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - emersonmattos.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de emersonmattos.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Cabelos... Longos cabelos
Que mais parecem cascatas,
Em suas quedas constantes;
Movidos ao vento,
Num movimento de encanto!

Olhos... Jóias brilhantes
Oh! Esferas me encantem!
Transbordem emoção!...
Às vezes refletem alegria,
Às vezes tristeza...
As lágrimas não dizem razão
Pergunto, pergunto...
Porque lacrimejam emoção?
Somente rolam no rosto,
Até chegarem ao chão...
Explodem e formam estrelas,
Choram! Constelação!...
Mas não me respondem a razão

Montanhas...
Horizonte! Esperança!
Belas montanhas...
Tela, arte bela...
No centro arco-íris
Conciliam as cores
Tais cores exoneram palavras,
Já que as falam por si...
Vejo assim a expressão do sorriso
Quando se forma e se desfaz...
Todo o conjunto do rosto,
Posso descrever em palavras...
Mas se me faltam as palavras...
Volto o olhar pra você...
Contemplando a beleza harmônica...
Posso, assim, voltar a escrever.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=1905 © Luso-Poemas

O poema organiza-se em três núcleos imagéticos — cabelos, olhos, montanhas — que funcionam como aproximações sucessivas ao rosto amado, como se o sujeito lírico tentasse circunscrever a beleza através de fragmentos, cada um deles insuficiente por si só, mas todos convergindo para uma mesma figura. A estrutura em blocos, cada qual iniciado por uma palavra isolada seguida de reticências, cria um efeito de suspensão deliberada: o eu poético parece deter-se antes de nomear, como se a própria nomeação exigisse um cuidado ritual. Esse gesto funciona bem, porque instala um ritmo de contemplação lenta, quase reverencial.

A primeira imagem — “Cabelos... Longos cabelos / Que mais parecem cascatas” — é clássica, mas eficaz. A comparação com cascatas, embora comum, ganha alguma vitalidade pelo movimento descrito: “em suas quedas constantes; / movidos ao vento”. Há aqui uma tentativa de animar a metáfora, de lhe dar fluxo, e isso contribui para a musicalidade. Contudo, a pontuação excessiva (reticências, ponto e vírgula, exclamações) por vezes quebra a fluidez que o próprio movimento imagético tenta criar.

O segundo bloco, dedicado aos olhos, é o mais forte do poema. A imagem das “jóias brilhantes” é convencional, mas a sequência que se segue — “Explodem e formam estrelas, / Choram! Constelação!” — introduz um salto imagético mais ousado. A transformação das lágrimas em estrelas cria uma fusão entre fragilidade e grandeza cósmica, e essa fusão dá ao poema um momento de verdadeira expansão poética. Ainda assim, a oscilação entre exclamações e perguntas (“Pergunto, pergunto... / Porque lacrimejam emoção?”) produz um certo excesso dramático que poderia ganhar mais força se fosse contido. A repetição de “pergunto” funciona como hesitação, mas perde impacto pela insistência.

O terceiro bloco desloca o olhar para o horizonte e para as montanhas, ampliando o campo visual. Aqui, o poema abandona o detalhe corporal e entra numa paisagem simbólica. A presença do arco-íris como conciliador de cores é uma metáfora de harmonia emocional, e a frase “Tais cores exoneram palavras, / Já que as falam por si...” é uma das mais interessantes do texto: há nela uma consciência metapoética, uma reflexão sobre o limite da linguagem perante a imagem. O poema, que até então tentava descrever, reconhece que a própria descrição falha — e é nesse reconhecimento que encontra força.

O fecho retoma o tema da insuficiência verbal: “Posso descrever em palavras... / Mas se me faltam as palavras...” — e a solução é o retorno ao olhar, como se a visão fosse o ponto de reinício da escrita. O gesto final — “Posso, assim, voltar a escrever” — fecha o poema com coerência, sugerindo que a inspiração não nasce da técnica, mas da contemplação da figura amada. É um final simples, mas bem alinhado com o percurso emocional do texto.

Em conjunto, o poema constrói uma estética de admiração e encantamento, sustentada por imagens acessíveis e por um tom declaradamente emotivo. Há momentos de excesso de pontuação e algumas metáforas previsíveis, mas também há lampejos de imaginação mais livre, sobretudo na secção dos olhos. A coerência interna mantém-se, e o texto cumpre o que se propõe: transformar a contemplação em matéria poética.

Criado em: Hoje 7:47:03
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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