68. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - carmenmonteiro. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de carmenmonteiro.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. O TEU OLHAR!!!!! Tenho medo!!! Tou perdida!!!!!! Pelas tuas palavras!!!! Honestas!!!! Sábias!!!!! Sinceras!!!!! Verdadeiras!!!! Imortais!!!! Vivo constantemente as tuas lembranças!!!!! Vou sonhar!!!! Nos teus olhos vou olhar!!!! Os teus labios vou beijar!!!! O teu digno!!!! Real!!!! Nobre!!!! Sentimento vou amar!!!!!! O teu perfume vou guardar!!!! Na minha mente vou gravar!!! OH!!!!! NAO!!!!!nao kero acordar!!!!!! NAO!!!! Esta porta vou fechar!!!!!!!!!! Esta porta vou trancar!!!! Esta porta vou selar!!!!!!!! Para nunca mais me lembrar!!!!!!!!! Que um dia voltei a !!!!! AMAR!!!!!! Perdida vou fikar!!! Perdida vou chorar!!! Perdida vou lembrar!!!! Mas com saudade vou amar!!!! Eternamente!!!! O teu olhar!!!! Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=2055 © Luso-Poemas O poema é um jorro — não no sentido pejorativo, mas no sentido de descarga emocional absoluta, sem filtros, sem contenção, como se a voz poética estivesse a escrever no exacto instante em que sente, sem tempo para organizar, sem tempo para respirar. É um texto que vive da exaltação, da urgência, da repetição, da pontuação excessiva — e é precisamente aí que reside a sua identidade: não quer ser elegante, quer ser verdadeiro no tumulto. A abertura — “O TEU OLHAR!!!!! / Tenho medo!!! / Tou perdida!!!!!!” — estabelece de imediato o registo: uma voz que se confessa dominada, quase engolida pelo impacto emocional do outro. O uso insistente de exclamações, de maiúsculas, de repetições, cria um ritmo sincopado, quase ofegante, que traduz bem o estado de descontrolo. É um poema que não tenta domesticar a emoção; expõe-na. A sequência de adjetivos isolados — “Honestas!!!! / Sábias!!!!! / Sinceras!!!!! / Verdadeiras!!!! / Imortais!!!!” — funciona como uma enumeração laudatória, mas também como um mecanismo de intensificação. Cada palavra é um golpe, um passo acima, um degrau emocional. Há aqui um eco de poesia popular contemporânea, aquela que se escreve em redes sociais, mas com uma sinceridade que impede o texto de cair no vazio. A segunda parte do poema, quando a voz passa do impacto ao desejo — “Vou sonhar!!!! / Nos teus olhos vou olhar!!!! / Os teus lábios vou beijar!!!!” — é mais imagética, mais concreta. O poema ganha corpo, aproxima-se do sensorial. E depois, novamente, regressa à enumeração de qualidades — “digno!!!! / Real!!!! / Nobre!!!!” — como se a voz precisasse de reafirmar, de fixar, de nomear para não perder. O ponto mais interessante surge na viragem dramática: “OH!!!!! / NAO!!!!! nao kero acordar!!!!!! / NAO!!!! / Esta porta vou fechar!!!!!!!!!! / … / Para nunca mais me lembrar!!!!!!!!! / Que um dia voltei a !!!!! / AMAR!!!!!!”. Aqui o poema revela a sua ferida: o amor não é apenas êxtase; é ameaça. A porta que se fecha, que se tranca, que se sela, é uma metáfora forte — talvez a mais forte do texto — porque traduz o medo de reviver a dor antiga. O amor aparece como retorno, como recaída, como algo que a voz tentou evitar e que, no entanto, a apanhou de surpresa. O final — “Perdida vou fikar!!! / Perdida vou chorar!!! / Perdida vou lembrar!!!! / Mas com saudade vou amar!!!! / Eternamente!!!! / O teu olhar!!!!” — fecha o poema com coerência: a perda, a dor, a memória e o amor coexistem. A repetição de “Perdida” cria uma cadência quase litânica, e o fecho em “o teu olhar” devolve-nos ao início, criando circularidade. Do ponto de vista literário, este é o mais “bruto” dos textos até agora apresentados — e isso não é defeito; é característica. A intensidade gráfica (exclamações, maiúsculas, repetições, ortografia informal) não é descuido: é estilo emocional. Mas, se quisesses elevar o poema a um registo mais literário, bastaria controlar um pouco a pontuação e substituir algumas repetições por imagens mais trabalhadas. Ainda assim, tal como está, o poema cumpre o que promete: é um grito, um desabafo, um coração a falar sem máscara.
Criado em: Hoje 16:07:00
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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