71. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Phyllis. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Phyllis.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. MEU CORPO SE FOI ENTRETANTO MEU ESPÍRITO SE ENCONTRA POR AQUI AINDA... OLHE A SEU REDOR E VERÁS QUE NÃO MINTO... VOCÊ PODERÁ SENTIR MEU AROMA, MINHA PRESENÇA REAL, PARA SUE DESESPERO NÃO PODES ME TOCAR, ME DESEJAR, NEM AO MENOS ME AMAR... POR QUE DEIXASTE A MORTE ME POSSUIR E NÃO FIZESTE NADA PARA ME SALVAR DA TEMÍVEL DOR???????? SABES QUEM SOU!!! SOU O QUE NÃO QUERO SER!!! E O QUE QUERO SE FINDA... SOU TALVEZ A MORTE OU A VIDA DE ALGUÉM.... SOU O QUE QUERES QUE EU SEJE.... SOU UMA DIFUNTA? TALVEZ É POR ISTO QUE NÃO TEMO NADA.... SOU O Q SOU NÃO O Q QUERO SER.... Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=2135 © Luso-Poemas Este poema abandona o lirismo contemplativo dos anteriores e entra num território mais áspero, mais teatral, quase necromântico. A voz poética fala a partir de um limiar radical: não é a voz de quem vive, mas de quem permanece depois da morte. O texto assume a forma de um monólogo espectral, dirigido a um “tu” que falhou — falhou em salvar, falhou em amar, falhou em impedir a dor. Há aqui uma dramaturgia intensa, construída com frases curtas, incisivas, muitas vezes interrompidas, como se a própria voz estivesse a emergir de um espaço onde a linguagem já não é plena. A abertura — “MEU CORPO SE FOI / ENTRETANTO MEU ESPÍRITO / SE ENCONTRA POR AQUI AINDA...” — estabelece de imediato a cisão ontológica: corpo ausente, espírito presente. Não há metáfora; há declaração. O poema não tenta suavizar a morte, antes a transforma em matéria de diálogo. A presença do espírito é sensorial: aroma, presença, proximidade. Mas é também inacessível: “PARA SEU DESESPERO NÃO PODES / ME TOCAR, / ME DESEJAR, / NEM AO MENOS ME AMAR...” — esta tríade negativa é o centro emocional do texto. O que dói não é a morte, é a impossibilidade do outro. O poema trabalha bem a acusação. A pergunta — “POR QUE DEIXASTE A MORTE ME POSSUIR / E NÃO FIZESTE NADA PARA ME SALVAR DA TEMÍVEL DOR?” — é o golpe mais forte. Não é uma pergunta real; é uma ferida aberta. A morte aqui não é destino, é abandono. O sujeito poético não se apresenta como vítima passiva, mas como alguém que exige responsabilidade ao interlocutor. Esta dimensão acusatória dá ao texto uma força dramática rara. Há também um jogo identitário interessante: “SABES QUEM SOU!!! / SOU O QUE NÃO QUERO SER!!! / E O QUE QUERO SE FINDA...”. A identidade é instável, fragmentada, corroída pela morte e pela memória. O poema oscila entre afirmação e dúvida, entre ser e deixar de ser. Quando diz “SOU TALVEZ A MORTE OU A VIDA DE ALGUÉM...”, a voz assume uma ambiguidade que é quase filosófica: a morte não anula a relação; transforma-a. A pergunta “SOU UMA DIFUNTA?” introduz um momento de ironia sombria, quase grotesca. É como se o espírito, consciente da sua condição, a testasse, a nomeasse, a ridicularizasse. Este tom dá profundidade ao poema, porque impede que a voz se torne unidimensional. Há dor, mas há também lucidez. Há revolta, mas há também aceitação. A frase final — “SOU O Q SOU / NÃO O Q QUERO SER...” — encerra o texto com uma resignação amarga, quase bíblica, como se a identidade fosse uma sentença e não uma escolha. Formalmente, o poema utiliza o verso livre com intensidade emocional. As maiúsculas constantes criam um efeito de grito, de presença forçada, como se a voz tivesse de atravessar um véu para ser ouvida. Os sinais de interrogação múltiplos, embora excessivos, reforçam o desespero e a teatralidade. Há erros ortográficos (“seje”, “sue”), mas estes acabam por contribuir para a sensação de urgência, de fala bruta, não polida, como se o espírito não tivesse tempo para correções. No conjunto, este é um poema que se destaca pela força dramática e pela coragem de assumir uma voz pós‑vida sem cair no cliché. A morte aqui não é metáfora; é cenário. E o amor, ou a falta dele, continua a ser o motor de tudo — mesmo depois do corpo desaparecer.
Criado em: Hoje 19:21:59
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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