86. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Thyelly.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Thyelly.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Eu vi
E na forma
Que te vi,
Reconheci:

Nunca estive ali.

Nunca estive presente,
Sempre longe de sua mente,
Mais longe do coração.

E meu amor doentio,
Claro como um rio,
Resolveu se recolher.

Foi secando,
Foi secando,

E tu bem
Sem perceber.

Nunca teve interese,
Em fazê-lo reviver.

E esse rio bonito
Que tantos sonhos, sonhou,

Acordou seco, arenoso,
E muito tempo passou.

Meus cuidados
E carinhos.
Quem lhe ofereceu igual?

Quem sempre se fez
Presente, não somente no natal?

Confesso entristecida,
Que muito tempo perdi.

Oferecendo carinhos
Para quem nem via ali.

Minhas lagrimas de amor,
Preocupações desmedidas,

Toda forma de atenção,
Era te oferecida.

Eu nada em sua vida....

Seu jeito absorto,
Levou-me a refletir:

Ele pensa é em outra
Tem uma outra ali.

Assim o rio morreu.

Lamento em lhe dizer

Mas a água que tu pedes
Não faz mais lhe pertencer.

Não posso lhe oferecer
O que não possuo mais.

E o rio de amor
Que fizeste desprezar.

Agora que reconhece
Que outro não mais terá?

É tarde.

O descuido,
O desprezo,

Que lançaste tu no rio,
O polui todo, agora
Esta vazio

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=2308 © Luso-Poemas

A leitura deste poema revela uma construção emocional que se organiza em torno da metáfora do rio — uma metáfora clássica, mas aqui trabalhada com simplicidade eficaz. O texto vive da repetição, da cadência e da insistência na perda, mas também sofre de fragilidades formais que diminuem a força da imagem central.

A abertura — “Eu vi / E na forma / Que te vi, / Reconheci: / Nunca estive ali.” — funciona bem pela contenção. Há um reconhecimento súbito, quase epifânico, que se desfaz imediatamente na constatação da ausência. Contudo, a quebra de versos é por vezes arbitrária: não há um ganho rítmico claro em separar “E na forma / Que te vi”, e a pausa perde precisão.

A sequência “Nunca estive presente, / Sempre longe de sua mente, / Mais longe do coração.” estabelece o tom confessional, mas “sua” cria uma oscilação de registo — o poema inteiro usa “tu”, excepto aqui. A coerência pronominal é essencial para manter a voz poética firme. “interese” está ortograficamente errado: deveria ser “interesse”. É um deslize que quebra a leitura.

A metáfora do rio é o eixo do poema. “E meu amor doentio, / Claro como um rio, / Resolveu se recolher.” tem uma imagem interessante, mas “doentio” é um adjectivo pesado e pouco subtil; a comparação com o rio perde delicadeza. A repetição “Foi secando, / Foi secando,” funciona como eco, mas poderia ganhar mais força com uma variação rítmica ou imagética.

A pergunta “Quem sempre se fez / Presente, não somente no natal?” contém um erro de capitalização: “Natal” deve ser escrito com maiúscula inicial. Além disso, a referência ao Natal introduz uma concretude quase prosaica que destoa do tom simbólico do resto do poema.

Há também deslizes de acentuação: “Minhas lagrimas de amor,” deveria ser “Minhas lágrimas de amor,”. “Era te oferecida.” está mal construído; a forma correcta seria “Era-te oferecida.” ou “Era oferecida a ti.”, dependendo do registo pretendido. A ausência de hífen e a colocação pronominal incorrecta prejudicam a fluidez.

A estrofe “Eu nada em sua vida....” contém excesso de pontos finais — quatro — que não acrescentam intensidade; apenas criam ruído gráfico. O mesmo acontece em vários momentos do poema. A repetição de reticências e sinais múltiplos enfraquece a emoção em vez de a intensificar.

O momento em que o sujeito poético reconhece a existência de “outra” é dos mais fortes, mas a formulação “Ele pensa é em outra / Tem uma outra ali.” é sintacticamente pobre. O “é” deslocado cria um coloquialismo que não combina com o tom elegíaco do resto.

O fecho — “Mas a água que tu pedes / Não faz mais lhe pertencer.” — contém um erro claro: “lhe pertencer” está mal construído. A forma correcta seria “não te pertence mais” ou “não mais lhe pertence”, dependendo da direcção do gesto poético. A última estrofe, com “O descuido, / O desprezo, / Que lançaste tu no rio,” tem força, mas “Esta vazio” deveria ser “Está vazio”.

No conjunto, o poema tem uma linha emocional clara, uma metáfora central eficaz e uma cadência que, quando não é interrompida por erros formais, funciona. O que o fragiliza são precisamente esses erros ortográficos, a inconsistência pronominal, a pontuação excessiva e algumas construções sintácticas pobres. A metáfora do rio merecia um tratamento mais rigoroso, porque é nela que reside a verdadeira força do texto.

Criado em: Hoje 9:47:54
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